Verificação das declarações de Caiado na entrevista GloboNews

Verificação das principais declarações de Ronaldo Caiado na entrevista GloboNews
O candidato à Presidência da República pelo partido PSD, Ronaldo Caiado, concedeu uma entrevista exclusiva ao g1 e à GloboNews na última sexta-feira (7), em um episódio da série de entrevistas com os principais presidenciáveis. A verificação de declarações feita pela equipe de fact-checking revelou informações importantes sobre o que foi dito durante o programa.
Educação: dados desatualizados sobre estudantes
Durante a entrevista, Caiado afirmou que "9,1 milhões de estudantes fora dos colégios não concluíram o ensino médio". A equipe de verificação de declarações apontou que essa informação recebe a classificação de "Não é Bem Assim".
O dado mencionado pelo candidato provém da edição de 2023 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua Educação), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Conforme o levantamento, 9,1 milhões de jovens, na faixa etária de 15 a 29 anos, não concluíram o ensino básico, que compreende o ensino infantil, fundamental e médio.
Porém, esse número não reflete a situação atual. Em 2024, o total havia recuado para 8,7 milhões de jovens sem concluir a educação básica. Já em 2025, o dado mais recente disponível aponta redução para 7,7 milhões. Portanto, a utilização dos números de 2023 não representa adequadamente o cenário educacional contemporâneo.
Endividamento das famílias brasileiras: informação confirmada
A declaração sobre o endividamento recebeu confirmação como verdadeira pela equipe de fact-checking. Caiado mencionou que "82% da população hoje é endividada", e essa informação foi validada como fato.
Um levantamento divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) na quinta-feira (6) confirma que 82% das famílias brasileiras estão endividadas. Esse percentual representa o maior índice desde o início da série histórica mantida pela entidade, constituindo o sexto recorde consecutivo.
Os dados tiveram como referência o mês de julho de 2026, apresentando crescimento de 0,4 ponto percentual em relação ao mês anterior, quando o índice era de 81,6%. Em comparação com julho de 2025, o aumento foi ainda mais significativo, com avanço de 3,5 pontos percentuais, pois estava em 78,5% naquela época.
Ausência de greves em Goiás: informação desmentida
A afirmação de que "não teve greve" durante seu governo em Goiás foi classificada como falsa pela equipe de verificação de declarações. Caiado exerceu o cargo de governador de Goiás em dois mandatos, entre 2019 e 2026.
Registram-se, no mínimo, dois episódios de paralisações durante esse período. No dia 1º de março de 2024, professores da Universidade Estadual de Goiás (UEG) iniciaram uma greve, reivindicando a implementação de um plano de cargos e remunerações para a categoria. A Procuradoria-Geral do Estado recorreu à Justiça, que determinou a suspensão da paralisação.
Posteriormente, em julho de 2025, servidores técnico-administrativos da mesma universidade também entraram em greve. Novamente, o governo de Goiás acionou o Tribunal de Justiça, que determinou o encerramento da mobilização.
Opinião sobre anulação de condenações de Lula: confirmado
A afirmação sobre a opinião pública em relação à anulação das condenações de Lula foi validada como verdadeira. Caiado mencionou dados de pesquisa Datafolha indicando que 50% da população não concorda que o presidente tenha sido absolvido.
Em 21 de março de 2021, o Instituto Datafolha divulgou uma pesquisa demonstrando que 51% dos brasileiros avaliaram negativamente a decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou todas as condenações de Lula (PT) pela Justiça do Paraná relacionadas à Operação Lava Jato. A pesquisa foi conduzida com 2.023 pessoas nos dias 15 e 16 de março de 2021, e 42% dos entrevistados avaliaram que a decisão foi apropriada.
Programa social em Goiás: números imprecisos
A declaração sobre o programa social liderado pela esposa do governador foi classificada como falsa. Caiado afirmou que sua mulher, Gracinha, implementou "o programa social mais emancipatório que Goiás já teve", com "612 mil famílias saíram das faixas de pobreza e de extrema pobreza".
Conforme resposta do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) à equipe de verificação, aproximadamente 734 mil residentes (e não famílias) do estado de Goiás saíram da linha da pobreza entre 2019 e 2024. A linha de pobreza é definida por uma renda domiciliar per capita diária inferior a US$ 6,85 (cerca de R$ 35).
Além disso, o IBGE esclareceu que não é possível determinar se essa mudança decorreu especificamente do programa social estadual, pois múltiplas variáveis influenciam o resultado, incluindo inflação, mercado de trabalho e outros programas sociais como o Bolsa Família.
Recursos hídricos do Brasil: informação precisa
A declaração sobre os recursos hídricos brasileiros foi confirmada como verdadeira pela equipe de fact-checking. Caiado mencionou que "nós somos o maior poder, o maior volume de água doce do mundo".
Conforme dados do AQUASTAT, sistema da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, o Brasil possui o maior volume anual de água doce renovável entre todas as nações. Os dados mais recentes disponíveis, referentes a 2023, indicam um fluxo de aproximadamente 8,6 trilhões de metros cúbicos por ano.
Na sequência, encontram-se Rússia (4,5 trilhões m³/ano), Estados Unidos (3,1 trilhões m³/ano), Canadá (2,9 trilhões m³/ano) e China (2,8 trilhões m³/ano), comprovando a supremacia brasileira nesse aspecto.
Conclusão
A verificação de declarações realizada pela equipe especializada do g1 revelou um cenário misto durante a entrevista de Ronaldo Caiado. Das principais afirmações analisadas, algumas foram confirmadas como precisas, enquanto outras receberam qualificações de "não é bem assim" ou foram completamente desmentidas. Essas checagens são fundamentais para manter a qualidade da informação durante processos eleitorais e garantir que o público tenha acesso a dados confiáveis.
