Tereza Cristina busca conversa com Bolsonaro sobre disputa do Senado

Encontro estratégico em perspectiva
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) sinalizou nesta quinta-feira (5) sua intenção de manter uma conversa com o ex-presidente Jair Bolsonaro acerca da disputa presidência Senado, encontro que ocorreria durante uma possível visitação a Brasília, onde o ex-mandatário cumpre prisão domiciliar. A parlamentar, que foi homenageada com o Prêmio Personalidade do Ano 2026 em evento promovido pela Câmara de Comércio França-Brasil, aproveitou a ocasião para esclarecer seus próximos passos na busca pela liderança da Casa Legislativa.
Durante coletiva de imprensa, ao ser questionada sobre a possibilidade de abrir mão de sua candidatura caso Bolsonaro indicasse apoio a Rogério Marinho (PL-RN), Tereza Cristina manteve discrição. A senadora evitou se comprometer com uma resposta definitiva, alegando desconhecer se o ex-presidente formularia tal solicitação. Sua fala revelou cautela estratégica diante de cenário político complexo envolvendo a próxima eleição interna do Senado.
Objetivos da audiência com Bolsonaro
Quando indagada sobre as metas específicas do encontro com o ex-presidente, Tereza Cristina ressaltou que havia reivindicado múltiplas vezes a oportunidade de visitação. Conforme suas declarações, pretende apresentar ao ex-mandatário sua perspectiva pessoal a respeito da disputa presidência Senado e dos desafios que envolvem essa eleição fundamental para o cenário político nacional.
"Sou amiga do presidente Bolsonaro, fui ministra dele. Já havia solicitado várias oportunidades para encontrá-lo e, agora que ele está acolhendo meu pedido anterior, considero excelente. Poderemos conversar e eu consigo explicar para ele o que está acontecendo, minha visão sobre o que representa nossa missão nessa eleição do Senado, tanto a minha quanto a de Rogério Marinho", afirmou a parlamentar em seu pronunciamento.
Estratégia compartilhada com Marinho
Quando pressionada sobre a hipótese de desistência caso Bolsonaro solicitasse unificação em torno de Marinho, a senadora novamente esquivou-se de antecipar qualquer posicionamento definitivo. Todavia, ressaltou que mantém diálogos constantes com seu concorrente desde o princípio do processo.
"Desconheço se o ex-presidente me formularia tal solicitação, contudo é indiscutível que Rogério Marinho e eu dialogamos desde o início. Ele tem reafirmado e eu também tenho repetido, porém parece que as pessoas não conseguem compreender. Compartilhamos uma estratégia. A estratégia do nosso campo é conquistar o Senado", declarou Tereza Cristina com ênfase.
A senadora também esclareceu que não pretende confrontar diretamente Marinho durante o pleito eleitoral. Conforme sua avaliação, ambos deverão definir, proximamente ao momento da votação, qual deles representará a oposição na disputa presidência Senado.
Comprometimento com o Senado
"Rogério proclamou no lançamento de sua candidatura: 'Não enfrentarei Tereza'. E eu afirmo aqui: não enfrentarei Rogério Marinho. Necessitaremos, em momento oportuno, conversar com responsabilidade e maturidade que carregamos pelas pautas que sustentamos, evitando diminuir o Senado e mantendo foco nas questões que importam ao Brasil", completou a parlamentar, reforçando seu compromisso institucional.
Contexto da disputa presidência Senado
Tereza Cristina integra o grupo de candidatos à liderança do Senado para o biênio iniciado em fevereiro de 2027. Como senadora pelo Progressistas, ela articula apoios parlamentares visando confrontar o mandatário atual, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que tenta manter-se no comando da instituição.
A concorrência também abrange Rogério Marinho, cuja candidatura foi oficializada pelo PL na quarta-feira (4). Funcionando como líder oposicionista no Senado, Marinho busca consolidar respaldos entre agremiações de centro-direita para enfrentar Alcolumbre, quem dispõe de apoio presidencial do governo Lula.
Negociações em desenvolvimento
Ambos os senadores, Tereza e Marinho, avaliam a possibilidade de unificar suas candidaturas oposicionistas, embora ainda não tenham alcançado acordo acerca de quem recuaria da disputa. A senadora do Progressistas prossegue realizando articulações com parlamentares oriundos de diferentes partidos, afirmando que a decisão definitiva será tomada em período próximo ao da eleição.
A votação encontra-se agendada para primeiro de fevereiro de 2027, oportunidade em que os 81 integrantes do Senado escolherão, através de sufrágio secreto, o presidente da Casa Legislativa. Para alcançar êxito, um candidato necessita obter no mínimo 41 votos entre os pares.
Solicitação de visitação ao ex-presidente
Dentro desse contexto de articulações políticas, a defesa jurídica de Bolsonaro formulou requerimento dirigido ao ministro Alexandre de Moraes, pertencente ao Supremo Tribunal Federal, almejando autorização para que o ex-presidente receba ambos os senadores, Tereza Cristina e Rogério Marinho, em sua residência onde permanece em regime de prisão domiciliar. O pedido foi formalizado em conjuntura em que os dois parlamentares competem pelo respaldo das forças conservadoras para a eleição interna do Senado, demonstrando a relevância política desse encontro para a definição dos rumos da instituição nos próximos dois anos.
