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PL triplica fatia do Fundo Eleitoral e recebe R$ 881,6 milhões

PL triplica fatia do Fundo Eleitoral e recebe R$ 881,6 milhões
Fonte: g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/06/20/fundo-eleitoral-partidos-2026.ghtml

PL triplica recursos do Fundo Eleitoral para 2026

O Fundo Eleitoral 2026 reservará R$ 881,6 milhões para o PL, partido que detém as maiores bancadas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Este montante representa um crescimento de 229% em relação aos R$ 268,1 milhões recebidos em 2022, triplicando essencialmente a fatia destinada à sigla liderada pelo pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro.

A parcela do Fundo Especial de Financiamento de Campanha destinada ao PL corresponde a 17,7% do total de R$ 4,96 bilhões disponibilizados para as eleições de 2026. Embora o valor agregado do fundo tenha permanecido estável em relação aos pleitos anteriores, a redistribuição entre os partidos sofreu alterações significativas, beneficiando principalmente aqueles com maior representação parlamentar.

Principais beneficiários do financiamento eleitoral

Na segunda posição da distribuição do Fundo Eleitoral 2026, encontra-se o PT com R$ 615,3 milhões, equivalendo a 12,4% do total. O valor representa um aumento de 23% em relação aos R$ 499,6 milhões recebidos em 2022, quando Luiz Inácio Lula da Silva disputava a presidência, e agora tenta a reeleição.

Completando o grupo de siglas que receberão quantias superiores a R$ 400 milhões estão: União Brasil com R$ 526,2 milhões, PSD com R$ 421 milhões, PP com R$ 417 milhões e MDB com R$ 400 milhões. Juntos, esses seis maiores partidos concentram aproximadamente 65% de toda a verba do Fundo Eleitoral, deixando os 35% restantes distribuídos entre outras 24 legendas registradas no Tribunal Superior Eleitoral.

Critérios de distribuição do fundo público

O Fundo Eleitoral foi criado em 2017, após decisão do Supremo Tribunal Federal que proibiu doações de empresas privadas para campanhas políticas. Desde então, funciona como mecanismo oficial de financiamento das disputas eleitorais, operando apenas em anos de eleição, com valores definidos pela Lei Orçamentária Anual.

A divisão dos recursos entre os partidos segue rigorosamente quatro critérios estabelecidos legalmente: 2% são distribuídos igualmente entre todas as legendas registradas; 35% seguem a votação obtida para a Câmara dos Deputados; 48% correspondem ao número de deputados federais eleitos, considerando fusões e incorporações; e 15% refletem a representação no Senado Federal.

Este modelo privilegia significativamente as maiores siglas, que conquistam mais votos e elegem mais parlamentares. Conforme explica Bruno Lorencini, professor de Direito Eleitoral, esse sistema fortalece a estrutura das maiores legendas, possibilitando maior investimento em viagens, equipes técnicas e capilaridade eleitoral. Para dez partidos sem representação nas duas casas do Congresso, a única parcela disponível corresponde aos 2% distribuídos uniformemente.

Perdas significativas na distribuição de 2026

Entre as eleições de 2022 e 2026, doze legendas registraram redução percentual na distribuição do Fundo Eleitoral. Entre elas estão Partido Verde, PMN, Solidariedade, PCdoB, União Brasil, Cidadania, PDT, PSB, Rede, PSDB, Novo e Democracia Cristã, além do Agir.

A queda mais drástica ocorreu com o Agir: o partido que havia recebido R$ 23 milhões em 2022 terá acesso apenas à cota de 2% distribuída uniformemente em 2026, reduzindo drasticamente seu potencial de investimento em campanha. Outra redução considerável afetou o União Brasil, que apesar de permanecer entre os três maiores beneficiários em 2026, recebia R$ 776 milhões em 2022, equivalendo a 16% do total do Fundo Eleitoral naquele ano.

Transformações no cenário partidário brasileiro

O mapa político brasileiro sofreu alterações estruturais entre 2022 e 2026 que refletem diretamente na distribuição do Fundo Eleitoral 2026. Quatro siglas deixaram de existir através de processos de fusão ou incorporação: PTB e Patriota se uniram em 2023, originando o Partido Renovação Democrática; PROS foi incorporado ao Solidariedade; e PSC integrou-se ao Podemos.

Adicionalmente, duas legendas modificaram suas denominações durante este período. O Partido da Mulher Brasileira passou a ser chamado Democrata, enquanto o Partido da Mobilização Nacional adotou a identidade Mobiliza. Estas transformações administrativas e políticas influenciaram a reconfiguração da distribuição de recursos, reforçando a tendência de concentração de verba nas maiores legendas e consequentemente ampliando as disparidades financeiras para campanhas eleitorais.

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