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Meloni rebate Trump e o provoca sobre popularidade baixa

Meloni rebate Trump e o provoca sobre popularidade baixa
Fonte: g1.globo.com/mundo/noticia/2026/06/20/meloni-chama-ataques-de-trump-de-sem-sentido-e-provoca-popularidade-baixa.ghtml

Resposta contundente da primeira-ministra italiana

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, publicou uma resposta incisiva neste sábado (20) aos comentários que considerou provocadores do presidente norte-americano Donald Trump. A troca entre Meloni e Trump evidencia o deterioramento progressivo das relações diplomáticas entre a líder italiana e o chefe de Estado americano, desdobrando-se em críticas públicas que ganham repercussão internacional.

Por meio do Instagram, Meloni afirmou que os ataques "constantes e não provocados" de Trump carecem de fundamento. A primeira-ministra deixou claro que sua relação com o presidente americano não interfere em seus índices de aceitação política. "De qualquer forma, minha popularidade não é da sua conta. Sugiro que você se concentre na sua", escreveu Meloni, em tom desafiador, questionando implicitamente os números do próprio Trump.

Contexto das acusações de Trump

As declarações que motivaram a resposta de Meloni foram divulgadas através da rede Truth Social, plataforma de comunicação preferida pelo presidente americano. Trump reafirmou uma acusação anterior feita a um veículo televisivo italiano, alegando que a premiê solicitou múltiplas vezes para fotografar-se ao seu lado durante a cúpula do G7 realizada na França.

O presidente americano argumentou que a popularidade de Meloni encontra-se reduzida na Itália, supostamente por ela ter rejeitado a cooperação militar americana quanto à questão iraniana. Trump mencionou também que o governo italiano recusou permissão para os Estados Unidos utilizarem bases militares italianas em operações contra o Irã, o que, segundo ele, causou "grande inconveniente logístico".

Na mesma mensagem, Trump enfatizou a contribuição financeira americana na proteção da Itália e de outros aliados da OTAN, sugerindo que Meloni buscava restaurar relações diplomáticas após a derrota militar americana contra o Irã apenas com objetivos políticos domésticos.

Negação categórica de Meloni

A primeira-ministra italiana refutou veementemente todas as alegações de Trump, classificando-as como "completamente inventadas". Meloni reforçou seu compromisso de defender exclusivamente os interesses nacionais italianos e ressaltou que a Itália mantém-se como nação soberana, independente de pressões externas.

Além da resposta nas redes sociais, Meloni também se pronunciou oficialmente sobre o episódio, enfatizando a necessidade de proteger a soberania italiana diante de qualquer interferência ou coerção política internacional.

Repercussões diplomáticas e cancelamento de viagem

As repercussões do conflito ultrapassaram o âmbito de comunicações públicas entre os dois líderes. Na sexta-feira (19), Antonio Tajani, chanceler italiano, anunciou o cancelamento de sua viagem programada aos Estados Unidos para a semana seguinte, através da qual buscaria encontrar-se com Marco Rubio, secretário de Estado americano.

Tajani condenou publicamente as "palavras graves e ofensivas" de Trump direcionadas a Meloni, afirmando que tais declarações ofendem toda a nação italiana. O cancelamento da viagem representa um ato diplomático significativo, sinalizando o nível de tensão entre os dois governos.

Giovanbattista Fazzolari, subsecretário do gabinete de Meloni e um de seus assessores políticos mais próximos, também pronunciou-se contra a postura de Trump. Em comunicado oficial, Fazzolari criticou os "rompantes inadequados" do presidente americano, argumentando que estas ações conseguiram tornar os Estados Unidos impopulares em todo o continente europeu, prejudicando não apenas a Europa mas sobretudo a própria América.

Registro visual e interpretações divergentes

Registros em vídeo do evento do G7 na França mostram Meloni e Trump engajados em conversa aprofundada, sentados próximos um ao outro em pequeno sofá. O presidente americano posteriormente sugeriu que sua intenção era simplesmente agradar à primeira-ministra italiana através da conversação.

No entanto, essa narrativa contrasta significativamente com as acusações posteriores de Trump quanto ao suposto pedido de Meloni para fotografar-se conjuntamente, gerando inconsistências nas explicações oferecidas pelo líder americano sobre o encontro no G7.

Histórico de deterioração nas relações

O afastamento entre Trump e Meloni, que outrora mantinham aproximação política, intensificou-se em abril, quando a primeira-ministra criticou duramente o presidente por qualificar o papa Leão XIV como "fraco" por sua condenação da guerra contra o Irã.

Meloni reagiu declarando inaceitáveis as palavras de Trump contra o Santo Padre, ressaltando o papel legítimo do papa como líder da Igreja Católica em defender a paz. Trump respondeu uma semana depois, em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, afirmando estar "chocado" com a postura de Meloni e questionando sua coragem, prevendo ainda que "a Itália nunca mais será o mesmo país".

Análise das motivações políticas internas

Conforme avaliação de analistas consultados pelo jornal The New York Times, a premiê pode ter aproveitado este momento para sinalizar ao eleitorado italiano um distanciamento estratégico do presidente americano. Pesquisas indicam crescimento da impopularidade de ambos entre os eleitores italianos, sugerindo que o afastamento público serve também aos interesses políticos domésticos de Meloni.

A situação reflete dinâmicas mais amplas nas relações entre líderes europeus e a administração Trump, evidenciando tensões sobre soberania nacional, decisões militares e influência política internacional no cenário contemporâneo.

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