Haddad apresenta plano SP Protege com IA e BO no Zap

Proposta de segurança pública com foco em redução da impunidade
O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) apresentou nesta segunda-feira (10) o SP Protege, um programa abrangente de segurança pública que prioriza a redução da impunidade no estado. A iniciativa integra tecnologias modernas, incluindo inteligência artificial para prevenção e investigação de crimes, além de inovações como o "BO no Zap", que permite às vítimas registrar boletins de ocorrência via WhatsApp. O programa também prevê a criação de uma agência estadual antifacção responsável por coordenar órgãos estaduais e federais no combate ao crime organizado.
A plataforma de segurança pública proposta por Haddad estrutura-se em três eixos principais: "nas ruas", "nas casas" e "no andar de cima". Cada um dos segmentos contempla estratégias específicas para endereçar diferentes tipos de criminalidade e vulnerabilidades sociais. O apresentador José Luiz Datena, que concorreu à prefeitura de São Paulo em 2024 obtendo 1,84% dos votos válidos, participou da apresentação como consultor em segurança pública.
Estratégia de prevenção e investigação nas ruas
Na frente operacional das ruas, o programa propõe utilizar inteligência artificial para cruzar dados de câmeras de segurança, registros de ocorrências policiais e chamadas ao 190. Esse sistema permitiria identificar padrões de incidência criminal por região e horário, possibilitando melhor direcionamento de viaturas e recursos. Paralelamente, será criado o Placar da Segurança, ferramenta que divulgará a cada trimestre indicadores sobre esclarecimento de roubos, furtos, homicídios e feminicídios discriminados por região.
O monitoramento contínuo através de tecnologia representa um avanço significativo na abordagem preventiva. O programa busca não apenas reagir a crimes já ocorridos, mas antecipar situações de risco mediante análise preditiva de dados criminais disponíveis nos sistemas policiais estaduais.
Proteção no ambiente doméstico e combate à violência contra a mulher
Para enfrentar a violência doméstica, Haddad propõe fortalecer as Delegacias da Mulher (DDMs) e implementar uma plataforma de inteligência artificial capaz de cruzar dados e alertas para identificar situações de risco elevado. O plano inclui ainda atendimento especializado e perícia em até 48 horas para crianças e adolescentes vítimas de violência, bem como um canal de denúncias com acompanhamento específico para idosos.
Essas medidas refletem a percepção do candidato sobre a necessidade de abordagens diferenciadas para grupos vulneráveis. A velocidade no atendimento, estabelecida em 48 horas para perícia, busca minimizar traumas e acelerar processos de investigação e proteção.
Agência Estadual Antifacção e combate ao crime organizado
A criação de uma Agência Estadual Antifacção representa elemento central da proposta de segurança pública apresentada. Essa estrutura reuniria Ministério Público, polícias estaduais, Receita Estadual e órgãos de controle para ações coordenadas contra organizações criminosas. A estratégia prevê bloqueio de patrimônio, combate à atuação de facções na economia formal e destinação social de bens confiscados.
O programa também contempla força-tarefa permanente no Porto de Santos dedicada ao combate ao tráfico transnacional e estrutura de patrulhamento de corredores logísticos no interior do estado, com foco especial em roubos de cargas, gado, maquinário e insumos agrícolas. Essas iniciativas visam desorganizar financeiramente as estruturas criminosas e interromper fluxos de recursos ilícitos.
Valorização e equipamento das forças policiais
Na área de valorização policial, Haddad promete implementação de plano de carreira, valorização salarial e promoções baseadas em critérios profissionais. O programa destaca também a adoção de câmeras corporais com gravação contínua durante todo o período de trabalho nas ruas, sem depender de acionamento manual pelo agente policial.
Segundo documentação da campanha, as mortes de policiais em serviço caíram 62,7% entre 2019 e 2022, período em que havia gravação contínua obrigatória. Os índices voltaram a crescer nos anos subsequentes, após o término desse modelo. Essa constatação serve como fundamento para a retomada da medida no programa apresentado.
Composição técnica e especialistas envolvidos
A construção do programa contou com participação de especialistas em diversas áreas. Benedito Mariano, sociólogo e mestre em Ciências Sociais, atuou como coordenador do Núcleo de Segurança Pública na Democracia do Instituto de Recursos Estratégicos e Econômicos (IREE), além de ter sido ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo.
Claudinho Silva, professor e militante do movimento negro, também foi ouvidor das Polícias de São Paulo. Emídio de Souza, deputado estadual e coordenador geral do programa de governo, é ex-prefeito de Osasco. Igor Marchesini, engenheiro e empreendedor especializado em inteligência artificial e políticas públicas, contribuiu para a dimensão tecnológica. Leandro Piquet Carneiro, economista, mestre e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo, integrou a equipe como pesquisador.
Contexto político e debate eleitoral
O lançamento do SP Protege ocorreu um dia após primeiro debate entre Haddad e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), realizado pela emissora Band no domingo (9). Aquele encontro foi marcado por intensas disputas sobre segurança pública, desempenho dos governos estadual e federal, infraestrutura em São Paulo, tarifas americanas e crime organizado.
Haddad enfatizou durante apresentação que "a primeira coisa a fazer é puxar o tema para a mesa do governador". Segundo o candidato, não é possível tratar segurança pública de outra forma no Brasil contemporâneo: "ou é o governador — que tem o mandato de 4 anos para resolver, chamar pra si a responsabilidade, com toda a transparência do mundo explicar o que está acontecendo e as entregas que estão sendo feitas — ou esse assunto não vai ser levado a sério pela sociedade e nós vamos entrar, como já estamos, numa espiral de violência".
