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Defesa de Torres pede revisão criminal da condenação

Defesa de Torres pede revisão criminal da condenação
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Pedido de Revisão Criminal Protocolado no STF

A defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres apresentou nesta quinta-feira (6) uma solicitação ao Supremo Tribunal Federal (STF) para revisão criminal do processo que resultou em sua condenação a 24 anos de prisão como membro central da organização responsável pela trama golpista. A revisão criminal Anderson Torres representa uma estratégia legal para questionar uma sentença já considerada definitiva, permitindo ao condenado solicitar reavaliação de seu caso mesmo após esgotados os recursos ordinários.

Estratégia da Defesa e Pedidos Principais

No documento protocolado, os advogados de Torres questionam fundamentalmente a condenação e solicitam a suspensão liminar de todos os efeitos da sentença, tanto de natureza penal quanto extrapenal. Entre as medidas requeridas está a expedição imediata de alvará de soltura, ainda que anterior ao julgamento de mérito da revisão criminal. Este pedido busca assegurar a liberdade imediata do ex-ministro enquanto o processo segue tramitação no tribunal superior.

A defesa argumenta que a revisão criminal Anderson Torres deve ser analisada pelo ministro Kássio Nunes Marques, que atua como relator da ação de revisão criminal movida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. A justificativa apresentada enfatiza que ambos os casos foram julgados com base no mesmo conjunto probatório e acusações pertencentes ao denominado "Núcleo 1" da conspiração.

Situação Atual de Anderson Torres

Anderson Torres permanece encarcerado desde novembro de 2025 no 19º Batalhão da Polícia Militar, unidade conhecida como "Papudinha", cumprindo sua pena de 24 anos relacionada aos atos golpistas ocorridos em 8 de janeiro de 2023. Sua defesa enfatiza que o ex-ministro necessita de liberação imediata como medida de urgência durante a apreciação da revisão.

Argumentações sobre a Dosimetria da Pena

Além do pleito por absolvição total, os advogados requerem a revisão da dosimetria da condenação de 24 anos, caso o STF rejeite o pedido principal de absolvição. O argumento central sustenta que a pena-base foi estabelecida acima do mínimo legal "sem fundamentação individualizada suficiente". Conforme a tese da defesa, a punição refletiria primordialmente a "gravidade histórica" dos eventos de 8 de janeiro, em vez de considerar adequadamente a culpabilidade concreta e individual de Anderson Torres, violando assim o princípio constitucional da individualização da pena.

Contexto do Processo Original

Anderson Torres foi condenado pela Primeira Turma do STF a 24 anos de prisão por sua participação em articulações golpistas e colaboração com a organização criminosa responsável pela tentativa de golpe. Durante investigações da Polícia Federal realizada em sua residência, foi apreendida a minuta de um decreto de estado de defesa, documento que a Procuradoria-Geral da República considerou como prova central da conspiração.

Processo Paralelo de Jair Bolsonaro

Em maio deste ano, o ex-presidente Jair Bolsonaro também protocolou um pedido de revisão criminal no STF. Sua defesa sustenta a anulação integral do processo, argumentando que o caso deveria ser apreciado pelo plenário da Corte em vez de ser julgado por turmas específicas. A estratégia paralela de Bolsonaro influencia indiretamente a questão de Anderson Torres, especialmente pela conexão probatória entre os dois processos.

O Instrumento Jurídico da Revisão Criminal

A revisão criminal constitui um instrumento processual excepcional que permite a um condenado com sentença definitiva requerer a reavaliação de seu caso, servindo para anular condenações quando comprovado erro judiciário. Este procedimento só pode ser apresentado após o encerramento do processo, quando não existem mais possibilidades de recursos ordinários.

As defesas podem recorrer à revisão criminal a qualquer momento durante a execução da pena, desde que apresentem novos elementos de investigação, não servindo para reexaminar fatos já amplamente discutidos durante a tramitação original. É importante destacar que este mecanismo não permite reavaliação de questões já decididas pelas instâncias anteriores.

Procedimento e Competência no STF

As normas internas do Supremo Tribunal Federal determinam que o relator responsável pela ação penal original não participa do sorteio para conduzir a revisão criminal. O ministro sorteado possui competência para admitir o pedido ou determinar a produção de novas provas conforme necessário.

Após a admissão, o condenado e a Procuradoria-Geral da República serão ouvidos no prazo de até cinco dias. Se a revisão for acolhida, o tribunal pode absolver o condenado, alterar a classificação do crime, reduzir as penas ou anular completamente o processo, ressalvado que nenhuma decisão pode resultar no aumento da pena originalmente prevista.

Consequências Potenciais da Absolvição

Em caso de absolvição decorrente da revisão criminal, Anderson Torres recuperaria os direitos que foram suspensos pela condenação e poderia requerer indenização pelo erro judiciário conforme legislação aplicável. Este resultado representaria a completa reabilitação jurídica do ex-ministro no âmbito criminal federal.

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