365 Nacional
Mundo

Vídeo registra momento exato do terremoto na Venezuela

Vídeo registra momento exato do terremoto na Venezuela
Fonte: g1.globo.com/mundo/noticia/2026/07/01/terremoto-na-venezuela-video-mostra-o-momento-exato-do-tremor.ghtml

Câmera registra o impacto do terremoto na Venezuela

Um registro de câmera de segurança documenta o instante preciso em que um terremoto na Venezuela atingiu a população no dia 24 de junho de 2026. As imagens, captadas em La Guaira, a região mais severamente afetada pelos tremores, mostram cenas de puro caos e destruição. O terremoto na Venezuela deixou um rastro de devastação que continua impactando a vida de milhões de pessoas.

As gravações obtidas mostram pedestres no primeiro plano, muitos deles incapazes de manter-se em pé durante o abalo sísmico. Ao fundo, do outro lado da rua, um edifício desaba completamente, liberando uma gigantesca nuvem de poeira. As imagens são um testemunho visual do poder destrutivo do fenômeno natural que assolou o país.

Números alarmantes de vítimas e feridos

O balanço oficial de vítimas do terremoto na Venezuela cresceu significativamente. Segundo o governo do país, o número de mortos subiu para 2.295, com mais de 11 mil pessoas registradas como feridas. Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, informou que o duplo tremor de 24 de junho afetou 12.841 pessoas no total.

Especialistas alertam que esses números representam uma subnotificação considerável, uma vez que corpos continuam sendo retirados dos escombros diariamente. Os necrotérios enfrentam dificuldades gigantescas para lidar com a quantidade massiva de vítimas, o que torna o trabalho de identificação cada vez mais lento e complexo.

Desafios nas operações de resgate

O número de resgates oficiais caiu drasticamente nos últimos dias. Enquanto nos dois primeiros dias após os terremotos foram resgatadas 5.380 pessoas, apenas quatro pessoas foram encontradas vivas na segunda-feira pelas autoridades. O período crítico para encontrar sobreviventes em desastres sísmicos é normalmente de 48 a 72 horas, embora seja possível sobreviver por mais tempo em circunstâncias favoráveis.

Um caso notável de sobrevivência foi registrado quando uma criança foi resgatada após ficar presa por seis dias sob um edifício desabado. Esse resgate extraordinário foi anunciado pelo presidente da Assembleia Nacional como o único sobrevivente encontrado na terça-feira até o pôr do sol.

Grupos de voluntários locais, frustrados com a resposta lenta do governo, se organizaram independentemente para realizar resgates. Esses números de salvamentos informais não são contabilizados nas estatísticas oficiais, revelando um quadro ainda mais complexo da situação.

Crise humanitária em expansão

A Organização das Nações Unidas estimou que o terremoto na Venezuela acumulou 1,2 milhão de toneladas de entulho, originário de edifícios destruídos e pertences pessoais dispersos pela região. Milhares de pessoas deslocadas enfrentam a realidade de dormir ao relento ou em abrigos superlotados e com condições sanitárias precárias.

Autoridades venezuelanas afirmam que mais de 15.800 pessoas foram oficialmente deslocadas pelos tremores. Segundo a porta-voz da agência da ONU para refugiados, Carlotta Wolf, esse número continuará aumentando conforme mais avaliações são realizadas. Os desabrigados dormem em carros, parques e outros locais improvisados.

A escassez generalizada de alimentos agrava a situação nos estados mais atingidos, particularmente em La Guaira, localizado nos arredores da capital Caracas, no litoral do país. As condições de vida deterioradas colocam os afetados em situação cada vez mais vulnerável.

Sistema de saúde à beira do colapso

O sistema de saúde venezuelano, já sobrecarregado por décadas de baixo investimento e anos de crise econômica, enfrenta pressão extrema após o terremoto na Venezuela. Christian Lindmeier, porta-voz da Organização Mundial da Saúde, declarou que as instalações estão operando muito além de sua capacidade para atender à crescente demanda por casos de trauma.

O governo confirmou que 38 hospitais foram danificados ou comprometidos pelos terremotos. A OMS avaliou 21 dessas instalações, identificando que três não estão mais em funcionamento, seis sofreram danos estruturais significativos, e as demais estão à beira do colapso sob o volume massivo de feridos.

A situação piora com o desaparecimento de médicos especialistas nos escombros, incluindo profissionais responsáveis pelos cuidados maternos em La Guaira. Essa perda de recursos humanos agrava ainda mais os desafios enfrentados pelo sistema de saúde em um país do qual 8 milhões de pessoas, entre elas muitos profissionais médicos e enfermeiros, emigraram nos últimos anos.

Riscos de surtos de doenças infecciosas

Sem acesso adequado a banheiros, chuveiros ou sabão, a população deslocada torna-se cada vez mais vulnerável a surtos de doenças evitáveis. O sarampo representa um risco particular devido às baixas taxas de vacinação entre a população afetada. As condições predominantes são propícias para a propagação de infecções transmitidas pela água, como dengue, febre amarela e malária.

Organizações humanitárias alertaram que a fragilidade do sistema de saúde está sendo levada ao seu limite máximo. A combinação de hospitais danificados, pessoal insuficiente e condições sanitárias deterioradas cria um ambiente ideal para a disseminação rápida de doenças contagiosas.

Apoio humanitário e resposta internacional

Uma presença crescente de organizações não governamentais tornou-se notória em La Guaira e comunidades adjacentes. Tendas da Cruz Vermelha, do Programa Alimentar Mundial e de outras organizações foram instaladas em passeios, esplanadas à beira-mar e instalações desportivas.

Durante todo o dia, pessoas fazem filas sob o calor escaldante para receber artigos de higiene pessoal, alimentos, medicamentos e máscaras faciais distribuídos gratuitamente. O UNICEF informou que 680 mil crianças necessitam de assistência humanitária em todo o país como resultado direto dos terremotos.

Dificuldades para localizar desaparecidos

Com o governo mantendo-se em silêncio sobre vítimas e sobreviventes específicos, sem divulgar um número oficial de desaparecidos, os cidadãos comuns enfrentam dificuldades extremas para localizar seus familiares. Muitos recorreram a grupos de WhatsApp e bancos de dados digitais não governamentais para relatar o desaparecimento de entes queridos.

Um desses registros não oficiais listava pelo menos 43.220 pessoas como desaparecidas. A agência espacial americana NASA estimou que quase 59.000 edifícios foram danificados ou destruídos pelos terremotos, número que oferece uma perspectiva sobre a escala verdadeira do desastre e a quantidade potencial de vítimas desaparecidas.

O número total de pessoas afetadas pelo terremoto na Venezuela alcança centenas de milhares, representando uma das maiores catástrofes naturais enfrentadas pelo país em tempos recentes. A reconstrução e recuperação promises ser um processo longo e desafiador para a nação.

Continuar a ler