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Propostas econômicas dos candidatos 2026: 5 temas

Propostas econômicas dos candidatos 2026: 5 temas
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Candidatos apresentam caminhos distintos para economia brasileira

A disputa pela Presidência em 2026 coloca em evidência diferentes visões sobre as propostas econômicas que devem nortear o próximo governo. Os principais candidatos - Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) - divulgaram seus planos para enfrentar desafios estruturais da economia brasileira. As propostas econômicas abrangem desde o equilíbrio das contas públicas até questões relacionadas aos juros, endividamento de famílias, crescimento econômico e produtividade.

Os candidatos reconhecem que o próximo presidente terá à frente problemas complexos que afetam diretamente o orçamento do Estado, as empresas e o bolso dos brasileiros. Entre os temas mais críticos estão o controle da dívida pública, que atingiu 82,9% do PIB em agosto, e a redução dos juros, que permanece em 13,75% ao ano pela taxa Selic.

Apostas online: regulação ou proibição

O setor de apostas online ganhou destaque recente no debate econômico após o governo anunciar medidas para restringir as atividades. As bets foram legalizadas em 2018 e regulamentadas em 2023, gerando arrecadação significativa. No entanto, estudos indicam impacto considerável sobre o endividamento das famílias, com valores estimados em R$ 62,5 bilhões retirados dos orçamentos domésticos em 2025.

As propostas econômicas dos candidatos divergem neste ponto. Lula defende mecanismos rigorosos de controle do endividamento associado às apostas, além de ampliação do atendimento em saúde mental. Ronaldo Caiado propõe regras mais rígidas, incluindo proibição de publicidade e estabelecimento de tetos para gastos dos apostadores. Flávio Bolsonaro focar em campanhas de conscientização e restrição do uso de recursos de programas sociais. Cury e Zema não mencionam diretamente o tema em seus planos.

Dívida pública e equilíbrio das contas

A situação fiscal é apontada como central para o próximo mandato. O déficit primário acumulado de janeiro a agosto chegou a R$ 88,9 bilhões, enquanto a dívida pública alcançou níveis recordes. As propostas econômicas variam significativamente em relação às soluções.

Lula apoia a manutenção do Novo Arcabouço Fiscal, buscando preservar recursos para saúde e educação enquanto melhora a eficiência dos gastos. Flávio Bolsonaro propõe mudanças nas regras fiscais para estabilizar a dívida em relação ao PIB e reduzir despesas não obrigatórias. Caiado defende um plano de longo prazo sem aumentar impostos ou fazer cortes indiscriminados. Zema propõe redução mais agressiva de despesas, reforma previdenciária e privatização de estatais. Cury focar em reforma administrativa e uso de inteligência artificial para combater fraudes.

Renan Santos, candidato não mencionado anteriormente, critica o Novo Arcabouço Fiscal e propõe uma PEC de Equilíbrio Fiscal com economia projetada de R$ 1,1 trilhão até 2031, incluindo desvinculação de benefícios do salário mínimo.

Endividamento das famílias: renegociação versus prevenção

Em julho, 82% dos consumidores apresentavam algum tipo de dívida a vencer, representando nível recorde. A taxa média de inadimplência alcançou 5% em agosto, também em patamar histórico. As propostas econômicas para este tema refletem diferentes abordagens.

Lula apoia programas de renegociação como Desenrola Brasil e Novo Desenrola, além de defender regras de concessão responsável de crédito. Flávio Bolsonaro propõe reduzir juros através do reequilíbrio das contas públicas e oferece orientação financeira pela Caixa. Cury apresenta o Banco do Empreendedor, com microcrédito de R$ 2 mil a R$ 20 mil a juros de 5% a 6% ao ano. Caiado associa o problema ao desequilíbrio fiscal e propõe Crédito Social Acompanhado. Zema defende modernização de garantias de crédito pelo Open Finance e o programa Sócios do Brasil.

Comércio exterior e terras raras

As barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos transformaram o comércio exterior em tema central. O Brasil enfrenta sobretaxas de até 37,5% sobre produtos, enquanto suas reservas de terras raras ganham importância estratégica nas negociações internacionais.

As propostas econômicas para este setor diferem conforme a orientação de cada candidato. Cury propõe reduzir burocracia nas exportações e criar corredores para transporte. Bolsonaro defende estreitar relações com EUA, Argentina e Israel. Lula apresenta o Plano Brasil Soberano para reduzir impactos das barreiras e fortalecer a indústria nacional. Caiado propõe processar minerais estratégicos no Brasil antes da venda. Zema sugere saída do BRICS e transformação do Mercosul em zona de livre comércio. Santos defende Zonas Econômicas Especiais com foco em produtos de valor agregado.

Inflação e juros: condições para redução sustentada

A taxa Selic permanece elevada apesar dos cortes realizados, mantendo o custo do crédito alto. A inflação acumulada em 12 meses até agosto foi de 4,22%, acima da meta de 3%. As propostas econômicas convergem em reconhecer a importância de controlar as contas públicas para viabilizar redução de juros.

Lula defende a manutenção do Novo Arcabouço Fiscal combinado com medidas de aumento de produtividade. Flávio Bolsonaro relaciona inflação e juros ao crescimento dos gastos governamentais e propõe mudanças nas regras fiscais. Cury propõe empréstimos com juros reduzidos e equilibrio das contas públicas. Caiado defende atuação coordenada entre políticas fiscal e de juros mantendo autonomia do Banco Central. Zema propõe controle da dívida com superávits estruturais e redução gradual de subsídios. Santos relaciona o problema ao desajuste fiscal e propõe ajuste amplo.

As propostas econômicas apresentadas pelos candidatos refletem diferentes visões sobre como conduzir a economia nos próximos anos. Enquanto alguns enfatizam o controle rigoroso das despesas, outros priorizam investimentos em áreas sociais. O próximo presidente enfrentará o desafio de escolher caminhos que equilibrem responsabilidade fiscal com crescimento econômico sustentado.

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