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Prefeitos do Centro-Oeste cobram Fundeb em reunião em Divinópolis

Prefeitos do Centro-Oeste cobram Fundeb em reunião em Divinópolis
Fonte: g1.globo.com/mg/centro-oeste/noticia/2018/07/23/prefeitos-da-regiao-centro-oeste-de-mg-se-reunem-em-divinopolis-para-debater-atraso-no-pagamento-do-fundeb.ghtml

Reunião de autoridades municipais aborda crise do Fundeb no Centro-Oeste

Dez gestores municipais da região Centro-Oeste de Minas Gerais se encontraram na manhã de segunda-feira (23) na sede da Associação Microrregional dos Municípios do Vale do Itapecerica (Amvi), em Divinópolis, para debater a grave situação provocada pelos atrasos do Fundeb. O encontro reuniu lideranças de diferentes municípios preocupadas com os impactos financeiros gerados pelos débitos estaduais. O Fundeb, fundo essencial para manutenção e desenvolvimento da educação básica e valorização de profissionais, tornou-se o eixo central das discussões.

Impacto financeiro nos municípios e ameaças aos salários

A gestão de Divinópolis enfrenta um cenário particularmente desafiador. O município possui uma dívida de aproximadamente R$ 6 milhões referentes ao Fundeb, valor que representa uma ameaça concreta aos pagamentos de profissionais da educação. Segundo dados municipais, mais de 90% da folha de pagamento do setor educacional, cerca de R$ 6,5 milhões do total de R$ 7 milhões, provém dos repasses do Fundeb.

Galileu Machado, prefeito de Divinópolis, revelou pela primeira vez a possibilidade de implementar um sistema de escalonamento salarial para educadores. "O Governo nos deve no Fundeb R$ 6 milhões. O salário dos professores e o transporte escolar vão ficar prejudicados. Vou ter que escalonar o pagamento para cobrir essa irresponsabilidade do governador", afirmou o gestor municipal durante o encontro.

Situação crítica em outros municípios da região

A dificuldade não se restringe a Divinópolis. Willer Rodrigues Reis, prefeito de Itapecerica, confirmou que a ausência de repasses compromete diretamente os serviços educacionais prestados à população. "Sem recursos não há como levar os serviços à população. Estamos unidos para reivindicar o pagamento daquilo que é direito dos nossos municípios", declarou o gestor.

Almir Resende Júnior, prefeito de Carmo do Cajuru e presidente da Amvi, ressaltou que o propósito do encontro transcendeu a simples exposição de dificuldades financeiras. O objetivo consistiu em firmar uma aliança estratégica entre os prefeitos para enfrentar coletivamente a crise do Fundeb. "Temos que fazer mais, lidar com outros meios na Justiça, porque a situação pode virar um caos a partir de agosto", alertou Resende.

Medidas judiciais e perspectiva de agravamento

Conforme informações de Almir Resende Júnior, a Associação Mineira de Municípios (AMM) já implementou algumas ações judiciais visando forçar uma resposta do Governo estadual. No entanto, o retorno dessas iniciativas legais tem sido insuficiente para resolver a questão. Os gestores municipais temem que a situação se intensifique significativamente a partir de agosto, considerando que nenhum município possui capacidade financeira para continuar arcando com obrigações que constituem responsabilidade estatal.

Realidade financeira em Divinópolis: medidas de contenção

Em junho deste ano, a secretária municipal de Fazenda de Divinópolis, Suzana Xavier, confirmou que recursos destinados a férias foram suspensos para servidores da educação. Essa decisão drástica teve como objetivo garantir o pagamento integral de salários de educadores financiados pelo Fundeb, sincronizando-o com a folha de demais servidores municipais no quinto dia útil de julho.

A fragilidade orçamentária dos municípios fica evidente quando se analisa que a Prefeitura de Divinópolis chegou a temer pela impossibilidade de efetuar a folha de pagamento em agosto. Somente após a reunião desta segunda-feira, o gestor municipal cogitou publicamente a possibilidade de escalonar salários, demonstrando a dimensão da crise.

Dimensão estadual da dívida de Fundeb

Os números revelam uma crise de escala estadual. Conforme dados divulgados pela Amvi, o Governo de Minas Gerais deve aproximadamente R$ 8 bilhões aos municípios mineiros referente ao Fundeb. Na região Centro-Oeste especificamente, o montante em débito alcança cifras alarmantes que comprometem o funcionamento das redes educacionais municipais.

Dívida geral do Estado com os municípios

O problema do Fundeb integra uma questão muito mais ampla de débitos estaduais. Em maio, a AMM e o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Minas Gerais informaram que a dívida do Governo com as prefeituras da região Centro-Oeste ultrapassava R$ 227 milhões. No contexto geral, o débito do Estado com as prefeituras mineiras superava R$ 4,7 bilhões naquele período, sendo R$ 3,7 bilhões relativos à Saúde.

Levantamentos posteriores apontaram que apenas três municípios da região Centro-Oeste acumulavam dívidas superiores a R$ 80 milhões, valores referentes a repasses para saúde e transporte escolar. As prefeituras de Divinópolis, Carmo do Cajuru e Formiga confirmaram esses montantes.

Histórico de atrasos progressivos

Dados do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Minas Gerais (Cosems-MG) evidenciam que a falta de repasses relacionados à educação tornou-se progressiva a partir de junho de 2016. Contudo, existem débitos que permanecem vigentes desde 2011, demonstrando que se trata de um problema crônico e estrutural na administração estadual.

Perspectivas futuras para educação municipal

A situação coloca em risco a continuidade de serviços essenciais à população. Sem a regularização dos repasses do Fundeb, municípios enfrentarão impossibilidade de honrar compromissos com educadores e transportistas escolares. A mobilização dos prefeitos da região Centro-Oeste representa uma tentativa de pressionar o Governo estadual para ações imediatas que evitem o colapso do sistema educacional municipal.

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