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Nicarágua aprova reforma que barra oposição

Nicarágua aprova reforma que barra oposição
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Reforma que exclui oposição é aprovada no Parlamento

O Parlamento da Nicarágua aprovou nesta terça-feira uma reforma constitucional que exclui a oposição das eleições, conforme anunciado pelo presidente da Casa Legislativa, Gustavo Porras. A medida representa mais um passo na consolidação do poder do presidente Daniel Ortega, que governa o país desde 2007 com controle total sobre as instituições públicas.

Segundo Porras, a reforma constitucional Nicarágua busca impedir que integrantes da oposição considerados pela autocracia como "vendidos" e "golpistas" apoiados pelos Estados Unidos possam disputar eleições futuras. A aprovação da medida deve perpetuar o regime no poder e aprofundar o cerco político contra os adversários do governo.

Contexto de endurecimento democrático

A aprovação ocorre poucas semanas após Ortega anunciar a extinção do modelo eleitoral vigente no país. Em julho, o presidente declarou publicamente o fim das eleições na Nicarágua, afirmando sua intenção de aprovar novas legislações para criar um "muro" contra a oposição política. Essa declaração causou consternação na comunidade internacional e entre organizações de direitos humanos.

Subsequentemente, o Congresso anunciou a criação de um plano de trabalho destinado a reformar completamente o processo eleitoral nacional. Além da reforma constitucional Nicarágua aprovada esta semana, o Parlamento manifestou a intenção de ampliar o mandato presidencial de seis para sete anos, consolidando ainda mais o poder executivo.

Histórico de manipulações eleitorais e institucionais

As mudanças legais fazem parte de um padrão crescente de manipulação institucional. Em 2024, uma reforma anterior já havia ampliado o mandato presidencial de cinco para seis anos. Essa mesma reforma adiou para novembro de 2027 as eleições que deveriam ocorrer no final de 2024, reduzindo drasticamente as oportunidades para competição política legítima.

A última eleição realizada no país, em 2021, foi amplamente contestada pela oposição e por observadores internacionais devido a denúncias generalizadas de fraude eleitoral e ao aprisionamento de diversos concorrentes políticos. O processo foi marcado pela prisão de candidatos de oposição e pela manipulação descarada dos resultados, consolidando a hegemonia orteguista.

Controle familiar das instituições

Daniel Ortega e sua esposa, Rosario Murillo, exercem controle praticamente absoluto sobre todos os aspectos do governo nicaraguense. As Forças Armadas, o Poder Judiciário, a polícia e as principais instituições estatais estão sob sua influência direta, eliminando qualquer possibilidade de independência institucional ou freios e contrapesos democráticos.

O regime já havia sido acusado de enfraquecer sistematicamente a democracia através da repressão de protestos populares, prisão de opositores políticos e forçamento de exílio de centenas de milhares de nicaraguenses. Essas ações criaram uma estrutura de controle totalitário que se intensifica com cada reforma legislativa aprovada pelo Parlamento controlado pelo governo.

Reações internacionais e pressões externas

A decisão de acabar efetivamente com as eleições gerou reações contundentes e repúdio entre exilados nicaraguenses e na comunidade internacional. No final de julho, Volker Türk, alto comissário da Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos, fez um apelo formal ao governo para que restabelecesse o Estado de Direito e garantisse a realização de eleições livres e justas.

Os Estados Unidos advertiram formalmente que não permaneceriam "de braços cruzados" diante da consolidação da "ditadura" na Nicarágua, sinalizando possíveis medidas de pressão diplomática e econômica. A União Europeia, por sua vez, pediu expressamente que o governo nicaraguense convocasse eleições "em conformidade com as normas e padrões internacionais de democracia".

Perspectivas futuras e implicações políticas

A aprovação da reforma constitucional Nicarágua marca um ponto de não retorno na transformação do país em um regime autoritário consolidado. Com a exclusão legal da oposição e a extensão dos mandatos presidenciais, Ortega garante sua permanência indefinida no poder, eliminando qualquer possibilidade de alternância democrática nos próximos anos.

As medidas aprovadas representam a institucionalização da ditadura, transformando em lei as práticas autoritárias que vinham sendo aplicadas de forma informal. Este cenário coloca a Nicarágua entre os países com menor liberdade política e eleitoral das Américas, provocando uma crise humanitária contínua com deslocamentos forçados e violações sistemáticas de direitos humanos.

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