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Lula acusa família Bolsonaro de traição ao pedir adiamento de tarifas

Lula acusa família Bolsonaro de traição ao pedir adiamento de tarifas
Fonte: g1.globo.com/politica/noticia/2026/07/02/lula-tarifas-flavio-bolsonaro-trump.ghtml

Lula responde duramente a Flávio sobre adiamento de tarifas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou-se enfaticamente contra a solicitação de Flávio Bolsonaro ao governo dos Estados Unidos, criticando a abordagem do senador sobre o adiamento de tarifas. Em declaração publicada nas redes sociais nesta quinta-feira (2), o petista afirmou que o Brasil "não está à venda" e que não existem justificativas plausíveis para a imposição de novas cobranças sobre exportações brasileiras, independentemente do timing eleitoral.

A resposta presidencial representa uma reação direta à manifestação encaminhada por Flávio Bolsonaro nesta quarta-feira (1º) ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). No documento, o pré-candidato do PL apresentou argumentos solicitando o adiamento da aplicação de tarifas de 25% por um período de 180 dias, alegando que tal medida poderia fortalecer Lula politicamente em ano eleitoral.

Crítica ao comportamento da família Bolsonaro

Para Lula, a origem das pressões tarifárias contra produtos brasileiros encontra raízes nas próprias articulações da família Bolsonaro. O presidente caracterizou a carta de Flávio como "mais uma atitude de traidores da pátria", reforçando uma narrativa que já havia utilizando anteriormente ao criticar atuações de outros membros da família junto ao governo norte-americano.

"O mais absurdo é saber que a origem disso tudo foi motivada pela própria família Bolsonaro que defendeu publicamente o aumento de tarifas contra os produtos brasileiros", declarou Lula em sua manifestação pública. O presidente complementou sua crítica afirmando que solicitar adiamento do "tarifaço" para período posterior às eleições continua sendo "uma atitude de traidores da Pátria", destacando que jamais houve qualquer justificativa legítima para tal imposição tarifária, seja no momento presente ou futuro.

Histórico de críticas à atuação da família Bolsonaro

Esta não representa a primeira ocasião em que Lula utiliza a expressão "traidores da pátria" para caracterizar membros da família do ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidente já tinha empregado linguagem similar ao criticar a atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro junto ao governo norte-americano. Particularmente relevante, durante a gestão anterior de Donald Trump, quando foi estabelecida uma tarifa de 50% contra produtos brasileiros, Eduardo Bolsonaro agradeceu publicamente o presidente americano pela medida implementada.

Lula também considera "inaceitável" qualquer tentativa da família Bolsonaro de submeter o Brasil aos interesses norte-americanos, classificando tal postura como "entreguismo" e comprometimento da soberania nacional.

A investigação da Seção 301 e suas implicações

A disputa narrativa entre Lula e Flávio Bolsonaro ocorre sob o contexto de investigação conduzida pelo USTR fundamentada na "Seção 301" da Lei de Comércio de 1974. Esta legislação examina atos e práticas brasileiras relacionadas a comércio digital, PIX, tarifas, corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento, permitindo a adoção de medidas comerciais quando consideradas injustas e prejudiciais a empresas americanas.

Com base nesta investigação iniciada em julho de 2025 a pedido do governo Trump, sob justificativa de possíveis "práticas desleais", o USTR propôs a aplicação de novas tarifas contra produtos brasileiros para as próximas semanas.

Questões econômicas: Mercosul e PIX

Na postagem presidencial, Lula também criticou manifestação de Flávio Bolsonaro contrária ao Mercosul, caracterizando movimentos contra o bloco como "outro ataque ao interesse do povo brasileiro". O presidente enfatizou a importância do Mercosul como "o mais importante da América Latina", particularmente após a conclusão recente de acordo com a União Europeia.

No documento encaminhado ao USTR, Flávio Bolsonaro argumentou que "o Brasil busca maneiras de se libertar das amarras do Mercosul que impediram governos anteriores de realizar tais negociações com os Estados Unidos".

PIX como instrumento de soberania

Outra questão central nas críticas de Lula refere-se ao sistema de pagamentos instantâneos brasileiro. O presidente afirmou que Flávio Bolsonaro e seus aliados "querem entregar o PIX a interesses estrangeiros", reafirmando seu compromisso com a ferramenta. "Não vão conseguir. O PIX é uma conquista do Brasil e não vamos abrir mão dele. Nossa pátria não está à venda. Nossa soberania é inegociável. O Brasil é dos brasileiros", concluiu Lula.

O sistema de pagamentos instantâneos tornou-se alvo do governo norte-americano sob alegação de que a atuação simultânea do Banco Central como regulador e operador geraria conflito de interesses prejudicando a competitividade de empresas e serviços de pagamento norte-americanos no mercado brasileiro.

Posicionamento de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro tem argumentado que o PIX foi implementado durante a gestão de Jair Bolsonaro, negando acusações de que, se eleito, submeteria a ferramenta de pagamentos instantâneos a interesses de outras nações, conforme sustenta Lula em sua narrativa crítica.

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