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IA pode impulsionar países emergentes em uma década

IA pode impulsionar países emergentes em uma década
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Inteligência Artificial como motor do desenvolvimento

A inteligência artificial em países emergentes representa uma oportunidade sem precedentes para acelerar o progresso econômico e social. Segundo relatório divulgado pelo Banco Mundial nesta terça-feira, a inteligência artificial poderia permitir que as nações em desenvolvimento avancem o equivalente a um século de progresso em apenas dez anos, desde que implementem estratégias rápidas para superar deficiências em energia, conectividade e capacitação profissional.

A conclusão do organismo internacional desafia narrativas pessimistas que associam a tecnologia exclusivamente a perdas de empregos e desigualdade. Em vez disso, o Banco Mundial enfatiza que as economias emergentes possuem muito mais a ganhar e significativamente menos a temer comparado às nações desenvolvidas.

Uma tábua de salvação para economias emergentes

Indermit Gill, economista-chefe do Banco Mundial, expressou otimismo quanto às possibilidades abertas pela revolução tecnológica. Conforme suas declarações no relatório, a inteligência artificial oferece uma oportunidade extraordinária que os países em desenvolvimento não podem desperdiçar.

Diferentemente do pressuposto comum, os especialistas do Banco Mundial argumentam que as nações emergentes não necessitam de investimentos monumentais nem de sofisticados modelos de linguagem personalizados para colher os benefícios da tecnologia. Adaptando ferramentas de inteligência artificial compactas e economicamente viáveis às realidades locais, é possível democratizar o acesso a cuidados médicos superiores, educação de qualidade, justiça mais eficiente e extensão agrícola para milhões de cidadãos.

Aplicações práticas da inteligência artificial

Os setores estratégicos podem se transformar através da adoção inteligente da tecnologia. Profissionais da saúde ganharão capacidade de acelerar diagnósticos com precisão aumentada. Educadores poderão enriquecer seus planejamentos pedagógicos com insights baseados em dados. Produtores rurais terão acesso a informações que orientarão decisões sobre cultivo e calendários de plantio otimizados.

O Fundo Monetário Internacional complementa essa avaliação, projetando que a inteligência artificial poderia expandir a economia da África Subsaariana em aproximadamente 4% durante a próxima década, sob condições favoráveis de implementação.

Riscos ocupacionais menos severos nas economias emergentes

Um aspecto crítico mencionado no relatório refere-se ao deslocamento de postos de trabalho. A inteligência artificial generativa apresenta uma probabilidade três vezes superior de comprometer empregos em países ricos, onde 14,2% das ocupações encontram-se vulneráveis, comparado com nações de baixa e média renda, onde apenas 4,5% enfrentam exposição real.

Concomitantemente, a proporção de funções que experimentarão incrementos significativos de produtividade permanece comparável: 16,2% nas economias em desenvolvimento contra 18,7% nos países de renda elevada. Esse equilíbrio sugere que a transição tecnológica nas nações emergentes pode ser menos traumática que em contextos mais desenvolvidos.

Infraestrutura e capacitação como pilares fundamentais

Para materializar essas possibilidades, o Banco Mundial estabelece recomendações claras aos governos. A expansão do acesso a eletricidade e conectividade à internet representa o alicerce indispensável. Paralelamente, investimentos em desenvolvimento de competências digitais e ampliação da disponibilidade de smartphones e equipamentos computacionais são imprescindíveis.

Essas medidas estruturais criam o ambiente favorável para que a inteligência artificial floresça como ferramenta de inclusão e progresso, não como instrumento de exclusão.

Desafios e advertências que não podem ser ignorados

O relatório também sinaliza riscos potenciais associados à adoção acelerada de inteligência artificial. Entre as preocupações destacadas encontram-se o aprofundamento das desigualdades de renda, disseminação mais sofisticada de desinformação e possíveis usos da tecnologia para fins de repressão política.

Esses alertas sublinham a importância de governança adequada e marcos regulatórios que equilibrem inovação com proteção social.

O custo da inação é insuportável

Gill enfatiza uma verdade histórica incômoda: as economias em desenvolvimento do século passado não aproveitaram a Primeira Revolução Industrial e despenderam duzentos anos subsequentes recuperando o atraso relativo. Cometer o mesmo erro na era da inteligência artificial representaria um prejuízo civilizacional irreparável.

O Banco Mundial é categórico: o custo de permanecer à margem desta transformação tecnológica seria devastador para as nações emergentes. A inteligência artificial, quando apropriadamente aproveitada, oferece o potencial de reescrever trajetórias de desenvolvimento econômico e melhorar a qualidade de vida de bilhões de pessoas.

A janela de oportunidade está aberta, mas o tempo para ação decisiva é limitado. As economias emergentes que implementarem rapidamente as medidas necessárias para superar lacunas em energia, conectividade e formação profissional encontrarão em inteligência artificial países emergentes uma alavanca transformadora sem precedentes na história do desenvolvimento econômico.

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