Exército nega guardar duas armas de Bolsonaro

Situação das armas de Bolsonaro junto ao Exército
O Comando do Batalhão de Polícia do Exército de Brasília comunicou ao Supremo Tribunal Federal que as armas de Bolsonaro sob sua custódia foram integralmente entregues à Polícia Federal. Porém, o comando informou que duas das oito armas que supostamente estariam armazenadas na unidade não se encontram sob a posse do Exército, gerando questionamentos sobre o paradeiro do arsenal do ex-presidente.
Entre as oito armas de Bolsonaro inicialmente apontadas como estando no Batalhão de Polícia do Exército, identificou-se que apenas seis permanecem na instituição militar. A ausência de duas unidades do arsenal levantou preocupações junto às autoridades federais e ao tribunal supremo.
Identidade das armas desaparecidas
Conforme informado pelo comando militar, as duas armas de Bolsonaro não localizadas no Batalhão são a Pistola Glock calibre 9x19 mm Parabellum e a Espingarda Maestro Arms Company calibre 12 GA. O número de série de uma delas coincide com a arma apreendida em operação recente da Polícia Militar em Brasília.
A defesa do ex-presidente esclareceu que a Espingarda Maestro Arms Company se encontra em uma empresa importadora de artigos bélicos localizada no Rio Grande do Sul. Segundo os advogados de Bolsonaro, este armamento foi presenteado ao ex-presidente e nunca chegou a ser retirado das dependências da empresa importadora, permanecendo lá até o presente momento.
Determinação do STF sobre o arsenal
Na manhã de segunda-feira, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que fossem entregues à Polícia Federal as oito armas de Bolsonaro supostamente armazenadas no Exército. A ordem judicial foi proferida após a defesa do ex-presidente informar que o arsenal estava sob custódia militar.
Anteriormente, na sexta-feira anterior, o ministro Moraes havia determinado a entrega de dez armas vinculadas a Bolsonaro, além de manter o ex-presidente em regime de prisão domiciliar. A decisão judicial buscava garantir o controle e a segurança de todos os armamentos registrados em nome do político.
Relação entre as armas do Exército e as da Polícia Federal
A defesa do ex-presidente informou que das dez armas sob determinação judicial, duas já haviam sido entregues à Polícia Federal em abril de 2023, conforme ordem anterior do Tribunal de Contas da União. As oito restantes, segundo os advogados, estavam guardadas no Batalhão de Polícia do Exército, embora agora o comando militar contradiga parcialmente essa informação.
As duas armas de Bolsonaro que já se encontravam com a Polícia Federal são a Carabina Caracal calibre 5,56x45 mm e a Pistola Caracal calibre 9x19 mm Parabellum. Estas foram entregues anteriormente e estão registradas na instituição policial.
Armas armazenadas no Batalhão
O Batalhão de Polícia do Exército mantém sob custódia seis das oito armas de Bolsonaro inicialmente mencionadas. O arsenal armazenado inclui: Pistola Forjas Taurus calibre .380 Automatic, Pistola Forjas Taurus calibre .40 Smith & Wesson, Carabina/Fuzil Springfield Armory calibre 7,62x51 mm, Espingarda Typhoon calibre 12 GA, Pistola Arex calibre 9x19 mm Parabellum e Pistola SIG-Sauer calibre 9x19 mm Parabellum.
Caso da arma apreendida em operação policial
No mês anterior, o militar Estácio Leite da Silva Filho, integrante da segurança do ex-presidente, foi abordado em blitz da Polícia Militar em Taguatinga, no Distrito Federal, portando uma arma registrada em nome de Bolsonaro. Segundo a corporação policial, o militar não possuía autorização do proprietário para transportar a arma e descumpria exigências legais obrigatórias.
A defesa de Bolsonaro reconheceu que o ex-presidente solicitou assistência a um militar do Gabinete de Segurança Institucional para realizar reparo em uma arma registrada sob seu nome. Os advogados afirmaram que a equipe de segurança havia deixado a arma inoperante como medida preventiva relacionada às condições de saúde mental do político.
Estácio Leite da Silva Filho foi indiciado por porte ilegal de arma de fogo, com agravante por ser sargento do Exército. O indiciamento representa conclusão da investigação policial e formalização da suspeita de autoria do crime junto ao Ministério Público.
Próximos passos e implicações legais
A situação das armas de Bolsonaro permanece sob análise das autoridades federais e do Supremo Tribunal Federal. A localização da Espingarda Maestro Arms Company em empresa no Rio Grande do Sul aguarda verificações adicionais sobre sua regularidade e conformidade legal. A Polícia Federal continua a catalogar e controlar o arsenal do ex-presidente conforme determinações judiciais.
