Congressistas EUA questionam Meta sobre desigualdade nas eleições brasileiras

Parlamentares americanos cobram transparência da Meta sobre eleições brasileiras
Um grupo de 13 congressistas dos Estados Unidos enviou correspondência ofícial nesta quinta-feira (22) ao presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, solicitando esclarecimentos acerca de alegações envolvendo Meta eleições brasileiras e possível condutas discriminatórias contra as campanhas políticas durante o pleito. O documento questiona especificamente o tratamento desigual que teria sido dispensado aos candidatos nas diferentes plataformas pertencentes à empresa norte-americana.
A comunicação enfatiza que, em contextos eleitorais democráticos, as gigantes tecnológicas possuem responsabilidade fundamental de assegurar equidade entre os candidatos no que se refere à circulação e sugestão de conteúdo em suas redes. Os legisladores manifestam preocupação profunda diante de informações verificadas sobre possível restrição ou supressão de materiais vinculados à campanha de Lula, enquanto simultaneamente teriam amplificado ou recomendado conteúdos ligados à campanha de Flávio Bolsonaro.
Incidentes com inteligência artificial e restrições de conteúdo
Relatos recentes de usuários evidenciaram situações onde a tecnologia de inteligência artificial do WhatsApp teria recusado solicitações para geração de imagens relacionadas à campanha de Lula, porém aceitado demandas similares vinculadas a Flávio. Este episódio provocou intervenção do Tribunal Superior Eleitoral, que exigiu posicionamento da plataforma, recebendo resposta da Meta na terça-feira (20) garantindo cumprimento das diretrizes judiciais para assegurar tratamento equivalente no segundo turno eleitoral.
O documento assinado pelos legisladores também faz referência à desativação da conta de publicidade de Lula no Facebook ocorrida em 23 de setembro, antecedendo em onze dias o primeiro turno das eleições. Adicionalmente, menciona limitações que impediram a campanha petista de ampliar publicações no Instagram durante quase 24 horas, entre os dias 9 e 10 de outubro. Conforme informações da equipe de campanha, aproximadamente 1,3 milhão de eleitores deixaram de receber estes anúncios durante este segundo episódio de restrição.
Ações regulatórias e multas aplicadas pela Justiça Eleitoral
O Tribunal Superior Eleitoral aplicou penalidade financeira contra a Meta na quinta-feira passada (15), simultaneamente determinando tratamento equitativo entre os candidatos. Quatro dias após esta decisão, a Corte ampliou significativamente o valor da multa em razão do descumprimento verificado. Na terça-feira (20), a empresa declarou ter concluído a implementação de dezessete medidas destinadas ao cumprimento das determinações judiciais, incluindo a adoção de um mecanismo de revisão realizada por profissionais humanos sobre as restrições impostas às contas publicitárias das campanhas.
Exigências dos parlamentares americanos
Os congressistas solicitaram agendamento de reunião com representantes da Meta para a próxima sexta-feira (23), estabelecendo prazo até 4 de novembro para que a empresa forneça respostas detalhadas por escrito. Os legisladores desejam obter informações sobre quais critérios orientam as práticas de moderação de conteúdo em processos eleitorais de outros países, bem como investigar possível comunicação entre executivos da Meta e integrantes da administração Trump concernente ao Poder Judiciário brasileiro, regulação de plataformas digitais ou as eleições de 2026.
A correspondência também questiona em qual momento temporal a Meta identificou as diferenças de tratamento dispensado entre as diferentes campanhas e quais procedimentos foram adotados para sanar as irregularidades identificadas. Os congressistas exigem informações minuciosas sobre o funcionamento do mecanismo de revisão humana, que funcionaria com análise em período máximo de duas horas das restrições automatizadas direcionadas às contas publicitárias dos candidatos.
Auditoria independente e transparência de dados
Questão particularmente relevante levantada pelos parlamentares refere-se à possibilidade de acesso de auditores independentes aos dados internos da Meta relacionados a moderação e distribuição de conteúdo político, com finalidade de verificar se realmente houve paridade de tratamento durante as eleições brasileiras. Esta demanda por transparência integra-se a um movimento mais amplo de supervisão sobre as operações de gigantes tecnológicas em contextos eleitorais internacionais.
A pressão exercida pelos parlamentares norte-americanos representa escalação significativa no escrutínio sobre as operações da Meta durante o pleito brasileiro, reforçando questionamentos sobre o papel das plataformas digitais na garantia de equidade electoral. O posicionamento dos congressistas sugere possível desalinhamento entre as práticas adotadas pela empresa e os padrões democráticos esperados em processos eleitorais, especialmente considerando o volume substancial de investimento publicitário canalizados através das plataformas Meta durante a campanha brasileira de 2024.
