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Casa Branca ordena limitar satélites da Ucrânia

Casa Branca ordena limitar satélites da Ucrânia
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Casa Branca ordena limitar satélites da Ucrânia em operações militares

A decisão da Casa Branca ordena limitar satélites que funcionam como infraestrutura crítica para as Forças Armadas ucranianas. Segundo reportagem divulgada pela Reuters na quinta-feira (15), dois funcionários americanos e um oficial ocidental confirmaram que líderes do Departamento de Defesa receberam orientações para restringir o serviço Starshield, versão militar do Starlink operada pela SpaceX. O sistema é essencial para comunicações no campo de batalha e orientação de drones ucranianos.

Os funcionários que relataram a medida falaram sob condição de anonimato e não identificaram especificamente qual autoridade dentro da Casa Branca Ordena limitar os satélites nem quem foi responsável pela implementação. Um alto funcionário americano negou que o presidente Donald Trump tenha feito pessoalmente tal solicitação, embora não tenha excluído a possibilidade de outros membros do governo terem tomado a decisão.

Impacto operacional nos sistemas de defesa ucraniano

As restrições impostas afetam significativamente as capacidades militares da Ucrânia. Autoridades ucranianas informaram que os receptores de uso militar pararam de funcionar quando instalados em objetos em movimento de alta velocidade. Esta limitação prejudica diretamente o desempenho de drones de ataque e interceptação que dependem dos sistemas de orientação embarcados.

Um representante do Ministério da Defesa ucraniano confirmou que, após negociações, os receptores voltaram a operar, porém com restrição severa: funcionam apenas em velocidades de até 160 km/h. A medida complica significativamente as missões de ataque contra infraestrutura logística russa em territórios ocupados e reduz a eficácia dos drones interceptadores que combatem os drones Shahed russos que se aproximam das cidades ucranianas.

Investigação sobre origem da ordem executiva

Autoridades ucranianas iniciaram investigação sobre quem autoriza esta restrição. Segundo um alto funcionário ucraniano, equipes de Kiev fizeram múltiplas ligações na terça (13) e quarta-feira (14) para funcionários de alto escalão da Casa Branca, Departamento de Estado e Pentágono. Durante estas comunicações, foram informados de que a decisão partiu do topo da administração da Casa Branca.

O Pentágono permanece como maior cliente do Starshield. Elon Musk, proprietário da SpaceX, afirmou que como os sistemas pertencem ao governo dos Estados Unidos e são controlados por autoridades americanas, qualquer limite de velocidade ou restrição de uso deve ser decidido pelas Forças Armadas americanas ou pelo presidente.

Pressão americana sobre ataques a refinarias russas

A limitação dos satélites coincide com pressão intensificada do presidente Trump sobre Kiev para cessar ataques contra refinarias russas. Trump responsabiliza estes ataques pelo aumento dos preços de energia, fator que afeta perspectivas eleitorais do Partido Republicano nas eleições legislativas de novembro.

Analistas divergem desta análise. Especialistas apontam que a alta dos custos energéticos resulta principalmente do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que provocou ataques iranianos contra instalações energéticas e fechou operacionalmente o estratégico Estreito de Ormuz. Este cenário geopolítico mais amplo explica melhor as flutuações nos preços globais de energia do que campanhas militares localizadas.

Deterioração das relações bilaterais

As tensões entre Ucrânia e EUA intensificaram-se após reunião realizada em Miami em 9 de outubro. O encontro reuniu representantes dos dois países, além de integrantes europeus e do Banco Mundial. Jared Kushner, genro de Trump, e Steve Witkoff, enviado especial para o Oriente Médio, adotaram postura severa durante negociações.

A delegação americana expressou frustração com continuação dos ataques de Kiev contra refinarias russas apesar de repetidos pedidos de Washington para interrupção. Além disso, explicaram a decisão de fechar acordo diesel com a Rússia, afirmando que a Casa Branca esperava suavizar posição russa em negociações de paz. O acordo prevê fornecimento de mais de 2,25 milhões de barris de diesel aos mercados americano e global.

Resposta política e ameaças subjacentes

Parlamentares americanos reagiram negativamente ao acordo diesel, argumentando que fornecerá recursos financeiros a Moscou para continuar a guerra sem obrigar Vladimir Putin a fazer concessões para encerrar o conflito. Nos dias seguintes, Volodymyr Zelensky classificou a posição americana como "fraca", enquanto Trump pediu realização de eleições na Ucrânia e saída de Zelensky do poder.

Nos bastidores, autoridades americanas ameaçaram interromper compartilhamento de informações de inteligência sobre lançamentos de mísseis russos, dados que Kiev utiliza para impedir ataques estratégicos. Trump posteriormente afirmou que Estados Unidos continuavam compartilhando inteligência com Ucrânia, buscando desmentir relatos anteriores sobre a ameaça.

Contexto tecnológico do Starshield

O Starshield foi desenvolvido especificamente pela SpaceX para clientes governamentais e de segurança nacional, com foco particular no Departamento de Defesa dos Estados Unidos. O sistema utiliza a constelação de satélites Starlink como infraestrutura básica, adaptada para requisitos militares mais rigorosos.

Esta escolha tecnológica vinculou as capacidades operacionais ucranianas a decisões de controle americano, criando vulnerabilidade que atualmente manifesta-se nas limitações impostas. A dependência de sistemas americanos para funções críticas deixou a Ucrânia exposta a restrições políticas determinadas em Washington, conforme demonstra a situação atual das operações militares no teatro ucraniano.

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