365 Nacional
Tecnologia

CEO da IBM reconhece atraso na adaptação à IA e ações desabam 25%

CEO da IBM reconhece atraso na adaptação à IA e ações desabam 25%
Fonte: g1.globo.com/tecnologia/noticia/2026/07/14/ceo-da-ibm-admite-impacto-da-ia-nos-negocios-e-acoes-tem-maior-queda-desde-1972.ghtml

Reconhecimento da falha na adaptação da IBM à inteligência artificial

A adaptação da IBM à inteligência artificial revelou-se insuficiente, conforme admitido pelo CEO Arvind Krishna em comunicado oficial aos investidores. A companhia enfrentou uma resposta de mercado severa após divulgar carta explicando o desempenho inferior ao esperado no segundo trimestre de 2026, principalmente devido à falta de reação ágil às mudanças nas prioridades de investimento dos clientes.

O documento revelou que a adaptação da IBM à inteligência artificial não acompanhou a velocidade das transformações no setor tecnológico. Krishna destacou que "essas condições exigiam que nossas equipes executassem perfeitamente, e neste trimestre falhamos. Não nos adaptamos e não nos movemos rápido o suficiente", reconhecendo explicitamente os erros estratégicos da companhia durante o período analisado.

Queda de 25% nas ações da IBM em maior desvalorização desde 1972

As ações da IBM registraram uma queda de 25% após a divulgação da carta, marcando a maior desvalorização desde 1972, segundo informações do jornal Financial Times. Esse movimento representou uma perda de mercado de aproximadamente US$ 68 bilhões (R$ 346,12 bilhões) em valor total da companhia, conforme levantamento realizado pela Elos Ayta.

A magnitude dessa queda reflete a preocupação dos investidores com a capacidade da IBM em se adaptar rapidamente aos novos ciclos tecnológicos. O resultado surpreendeu negativamente o mercado, que esperava melhor desempenho da companhia histórica de tecnologia.

Impacto da IA nos negócios de infraestrutura da IBM

O desempenho da divisão de infraestrutura da IBM sofreu redução de 7% na receita, pressionado principalmente pelo desempenho dos sistemas Z, conhecidos como mainframes tradicionais da companhia, além dos softwares associados a esses equipamentos, especialmente aqueles direcionados ao processamento de transações.

A causa raiz desse problema originou-se de uma mudança rápida e significativa na estratégia de investimento dos clientes. Nas últimas semanas de junho, empresas passaram a direcionar seus gastos de capital para aquisição de servidores, armazenamento e memória, buscando garantir equipamentos diante de possíveis restrições de oferta e potenciais aumentos de preços no mercado.

Diversos grandes contratos deixaram de ser concluídos nos prazos originalmente esperados, representando a maior parcela do impacto negativo nos resultados do trimestre. A IBM esperava algum impacto relacionado à cadeia de suprimentos, mas não antecipou a intensidade dessa mudança nas prioridades de investimento de seus clientes corporativos.

Reorientação do investimento em infraestrutura distribuída

À medida que empresas de diferentes setores aumentavam seus investimentos em inteligência artificial, cresceu proporcionalmente a necessidade por infraestrutura capaz de sustentar essa tecnologia emergente. Esse movimento alterou fundamentalmente as prioridades de investimento dos clientes da IBM, que direcionaram parcela do orçamento para garantir equipamentos de computação antes de possíveis restrições de oferta e aumentos de preços.

Esse cenário se refletiu claramente nos números apresentados pela companhia. Enquanto os mainframes Z, área mais tradicional de infraestrutura, registraram queda de 7%, a chamada infraestrutura distribuída demonstrou excepcional desempenho. Essa área, que reúne servidores, armazenamento e soluções voltadas a ambientes tecnológicos modernos, alcançou crescimento de 37% no trimestre, representando o melhor resultado histórico da companhia nesse segmento.

Confiança mantida na estratégia de longo prazo

Apesar do reconhecimento explícito da falha operacional, o CEO Arvind Krishna afirmou que o resultado negativo não abala a confiança da IBM em sua estratégia de longo prazo e visão corporativa para os próximos anos. Krishna declarou que "nosso trabalho é ajudar nossos clientes a atravessar períodos de incerteza e encontrar caminhos para crescer seus negócios, independentemente do que esteja acontecendo no ambiente externo".

A empresa reafirmou seu compromisso com avanços em inteligência artificial e computação quântica como pilares fundamentais da estratégia futura. A IBM anunciou o Lightwell, uma iniciativa de US$ 5 bilhões (R$ 25,45 bilhões) voltada ao uso de novas capacidades de inteligência artificial para criar plataforma de confiança no gerenciamento de vulnerabilidades em softwares de código aberto, envolvendo mais de 20 mil engenheiros e adoção inicial por grandes instituições financeiras.

Investimentos em computação quântica

No campo da computação quântica, a companhia afirmou que pretende investir mais de US$ 10 bilhões (R$ 50,9 bilhões) nos próximos cinco anos em pesquisa, desenvolvimento, fabricação, aquisições e expansão do ecossistema tecnológico relacionado. A IBM mantém sua meta de entregar o primeiro computador quântico de grande escala tolerante a falhas até 2029, demonstrando compromisso com inovação tecnológica de longo prazo.

Perspectivas para o balanço do segundo trimestre

No trimestre sob análise, a IBM registrou receita total de US$ 17,2 bilhões (R$ 87,54 bilhões), representando alta de 1% na comparação anual. A divisão de software apresentou crescimento de 5%, enquanto a área de consultoria manteve performance praticamente estável durante o período.

O lucro por ação ajustado subiu 5%, atingindo US$ 2,93 (R$ 14,91), porém o desempenho inferior da infraestrutura levou a empresa a revisar a percepção dos investidores sobre o ritmo de adaptação da IBM ao novo ciclo de investimentos em tecnologia e inteligência artificial que marca o setor atualmente.

Continuar a ler