Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada nos dias 15 e 16 de junho, foi mantida a decisão de elevar a taxa básica de juros (Selic) em 0,75%, chegando ao patamar de 4,25% ao ano. A decisão foi tomada diante do cenário de inflação desafiador que o país ainda enfrenta, mesmo com a retomada gradual da economia após os impactos da pandemia.
A ata divulgada pelo Banco Central (BC) após a reunião do Copom destacou que, embora a inflação tenha apresentado uma desaceleração nos últimos meses, os riscos ainda seguem elevados e a manutenção de juros em patamares elevados é necessária para garantir a estabilidade dos preços.
De acordo com o documento, a recuperação da atividade econômica ainda é incerta, com riscos consideráveis associados à evolução da pandemia e ao processo de vacinação. Além disso, a alta nos preços das commodities e a desvalorização cambial também são apontadas como fatores que podem pressionar a inflação no curto prazo.
Nesse contexto, o Copom reforçou que, mesmo com a elevação da Selic para 4,25%, a taxa ainda é considerada estimulativa e que, portanto, é suficiente para manter a inflação sob controle. No entanto, o tom da ata é de que essa taxa deve ser mantida por um “período bastante prolongado”, indicando que não há previsão de redução no curto prazo.
A decisão do Copom foi bem recebida pelo mercado, que vinha especulando sobre a possibilidade de uma alta maior na taxa de juros. Com isso, a expectativa é que haja um maior controle da inflação nos próximos meses, mesmo que isso signifique uma desaceleração na retomada da economia.
O Banco Central também destacou a importância de manter uma vigilância sobre as expectativas de inflação, que podem se desancorar caso haja uma percepção de que a alta nos preços será persistente. Para isso, é fundamental manter a comunicação clara e transparente com o mercado, demonstrando que a política monetária continuará sendo utilizada para garantir a estabilidade dos preços.
A ata do Copom também trouxe uma revisão nas projeções para a inflação e o crescimento econômico. A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2021 passou de 5,05% para 5,82%, acima do teto da meta estabelecida pelo governo. Já a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) foi reduzida de 3,6% para 3,5%.
Apesar dos desafios, o BC reforçou que a política monetária continuará sendo utilizada para garantir a estabilidade dos preços no médio e longo prazo. Além disso, destacou que a trajetória fiscal é fundamental para manter a confiança dos agentes econômicos e garantir a sustentabilidade da dívida pública.
Portanto, diante do cenário de incertezas e desafios, a ata do Copom reforça a importância de manter a Selic em patamares elevados por um período prolongado, como forma de garantir a estabilidade da economia e evitar uma desancoragem das expectativas de inflação. Além disso, é fundamental que o governo mantenha o compromisso com a responsabilidade fiscal, promovendo um ambiente de confiança para os investidores e impulsionando a retomada da atividade econômica.





