No último dia 16 de setembro, o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, anunciou sua decisão de manter as taxas de juros entre 0% e 0,25%. No entanto, a decisão não foi unânime e três dirigentes do Fed divergiram. O diretor Stephen Miran, o presidente da distrital de Kansas City, Jeffrey Schmid, e o presidente da distrital de Chicago, Austan Goolsbee, foram os responsáveis por essa divergência.
Essa não é uma situação comum dentro do Fed, já que a instituição tem como objetivo tomar decisões de forma consensual. No entanto, a divergência entre os dirigentes mostra que existe um debate interno sobre qual seria a melhor estratégia para a economia americana nesse momento.
De acordo com o comunicado oficial divulgado pelo Fed, a decisão de manter as taxas de juros foi tomada com o objetivo de apoiar a recuperação econômica do país. A pandemia de Covid-19 ainda é uma realidade e a incerteza em relação ao futuro da economia é grande. Por isso, o banco central decidiu manter uma postura mais cautelosa e não realizar mudanças bruscas nas taxas de juros.
No entanto, os três dirigentes que divergiram da decisão acreditam que essa postura mais cautelosa pode ser prejudicial no longo prazo. Eles argumentam que a economia americana está se recuperando mais rapidamente do que o esperado e que a manutenção das taxas de juros em níveis tão baixos pode gerar riscos inflacionários no futuro.
Austan Goolsbee, presidente da distrital de Chicago, é um dos que defendem uma postura mais agressiva do Fed. Em entrevista à CNBC, ele afirmou que “a economia está se recuperando mais rápido do que o esperado e o risco de inflação é maior do que o risco de uma recessão”. Para ele, manter as taxas de juros tão baixas por um período prolongado pode gerar desequilíbrios no mercado e criar bolhas especulativas.
Já Jeffrey Schmid, presidente da distrital de Kansas City, acredita que o Fed deveria começar a aumentar as taxas de juros gradualmente a partir de 2022. Ele argumenta que a inflação está aumentando e que a recuperação econômica está mais robusta do que o esperado. Além disso, ele defende que a manutenção das taxas de juros tão baixas pode prejudicar o mercado de trabalho, já que os trabalhadores podem ser incentivados a permanecer em empregos menos produtivos e com salários mais baixos.
Por sua vez, Stephen Miran, diretor do Fed, acredita que a manutenção das taxas de juros baixas por um período prolongado pode gerar desequilíbrios no mercado financeiro. Ele argumenta que os investidores estão buscando ativos de maior risco em busca de retornos mais altos, o que pode gerar uma bolha especulativa e, consequentemente, uma crise no futuro.
Apesar dessas divergências, a decisão do Fed de manter as taxas de juros está alinhada com a postura adotada por outros bancos centrais ao redor do mundo. O Banco Central Europeu, por exemplo, também decidiu manter as taxas de juros baixas e manter o programa de compra de ativos em vigor. Essa postura mais cautelosa é vista como uma forma de garantir a estabilidade econômica em meio à pandemia de Covid-19.
No entanto, é importante destacar que a divergência entre os dirigentes do Fed mostra que existe um debate interno sobre qual seria a melhor estratégia para a economia americana nesse momento. A incerteza em relação ao futuro da economia é grande e o banco central precisa encontrar um





