No último debate entre os candidatos presidenciais em Portugal, realizado na terça-feira, 19 de janeiro, o clima foi marcado por uma troca constante de acusações e ofensas entre os participantes. Com Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, e André Ventura, do Chega, em destaque, poucas ideias e propostas foram de fato debatidas, deixando muitos telespectadores desapontados.
O grande foco do debate foi a questão da liberdade de expressão e a crescente polarização política nas redes sociais. Ventura acusou Martins de querer impor “censura” nessas plataformas, fazendo referência ao projeto de lei do Bloco que pretende regulamentar o discurso de ódio online. No entanto, a bloquista não se calou e respondeu com firmeza, afirmando que foi o próprio deputado do Chega que a tentou censurar ao colocá-la em tribunal por uma publicação em rede social.
A troca de acusações entre os candidatos evidenciou a polarização e a falta de diálogo construtivo que tem caracterizado a política portuguesa nos últimos tempos. Ao invés de apresentarem suas propostas e ideias para o país, os candidatos preferiram se concentrar em ataques pessoais e demonstrações de poder. Infelizmente, esse tipo de comportamento não é novidade, mas desta vez ficou ainda mais evidente e lamentável.
É inegável que a liberdade de expressão é um direito fundamental e deve ser garantida. No entanto, é preciso encontrar um equilíbrio entre liberdade e responsabilidade, especialmente no mundo virtual, onde a disseminação de discursos de ódio e desinformação tem causado conflitos e danos irreparáveis. É importante que os candidatos considerem isso e apresentem propostas concretas e viáveis para lidar com essa questão, ao invés de apenas apontar o dedo e se colocar como vítimas.
Outro tema que foi pouco abordado no debate foi a crise sanitária que o país enfrenta por conta da pandemia da COVID-19. Embora já tenhamos visto um aumento significativo na taxa de casos e mortes nas últimas semanas, os candidatos abordaram pouco sobre o tema e não apresentaram planos concretos para a gestão da crise. Além disso, a falta de solidariedade e empatia por parte de alguns candidatos foi evidente, o que mostra uma desconexão com a realidade vivida por muitos portugueses.
Apesar do debate ter sido marcado por uma troca de acusações e ofensas, houve momentos de destaque que merecem ser mencionados. Marisa Matias, do Bloco de Esquerda, mostrou-se como a única candidata a apresentar propostas concretas para a redução da desigualdade social, para a defesa dos direitos das mulheres e para a proteção do ambiente. Também foi possível observar a postura calma e centrada de João Ferreira, do Partido Comunista Português, que se focou em apresentar suas propostas sem se envolver em brigas desnecessárias.
É de extrema importância que os candidatos a presidente da República utilizem esse espaço de debate para apresentar suas posições e ideias para o futuro do país. É uma oportunidade única para que os eleitores possam conhecer melhor suas propostas e fazer uma escolha informada. Porém, o que vimos nesse debate foi uma falta de respeito com os eleitores e uma desconexão com a realidade em que vivemos.
Cabe a nós, eleitores, não nos deixarmos levar por discursos de ódio e polarização. Devemos exigir que os candidatos apresentem planos reais e viáveis para as questões importantes que afetam o nosso país,





