Após mais de um mês de intensas manifestações em Santarém, no Pará, e ocupação do terminal da empresa Cargill, o governo federal decidiu recuar em seu plano de privatizar as hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós. A decisão foi anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro no dia 29 de julho, em meio à pressão de indígenas e movimentos sociais que se opõem à medida.
O Programa Nacional de Desestatização (PND) previa a concessão à iniciativa privada de trechos desses importantes rios da Amazônia, que são utilizados para o transporte de cargas e escoamento da produção agrícola da região. No entanto, a proposta gerou grande preocupação entre as comunidades indígenas e ribeirinhas, que temem pela degradação ambiental e pela perda de seus meios de subsistência.
Desde o início de junho, lideranças indígenas e representantes de movimentos sociais ocuparam o terminal da Cargill em Santarém, impedindo a saída de barcaças carregadas com soja e milho. A empresa é uma das principais beneficiárias do transporte fluvial na região e, por isso, foi alvo dos protestos. Além disso, foram realizadas diversas manifestações nas ruas da cidade, com a participação de centenas de pessoas.
A decisão do governo de retirar os rios Madeira, Tocantins e Tapajós do PND foi vista como uma grande vitória pelos manifestantes. Para eles, a privatização das hidrovias representaria um grande retrocesso para a região amazônica, que já sofre com a exploração desenfreada de seus recursos naturais. Além disso, a medida poderia trazer impactos negativos para as comunidades tradicionais que dependem desses rios para sua subsistência.
O presidente Jair Bolsonaro afirmou que a decisão de suspender a privatização foi tomada após ouvir as demandas dos manifestantes e também de parlamentares da região. Ele destacou que o governo está aberto ao diálogo e que a decisão foi tomada em conjunto com o Ministério da Infraestrutura e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
A notícia foi recebida com grande alívio e comemoração pelos manifestantes e por todos aqueles que se opõem à privatização dos rios amazônicos. Para eles, a decisão do governo mostra que a mobilização popular é capaz de gerar mudanças e que é possível lutar pelos direitos e interesses das comunidades tradicionais.
Além disso, a decisão também foi vista como uma vitória para o meio ambiente. Os rios da Amazônia são fundamentais para a manutenção da biodiversidade e para a regulação do clima, e a privatização poderia trazer consequências graves para esses ecossistemas tão sensíveis.
No entanto, apesar da suspensão do plano de privatização, os manifestantes afirmam que continuarão vigilantes e atentos às ações do governo em relação às hidrovias. Eles destacam que é preciso garantir que os rios sejam preservados e utilizados de forma sustentável, respeitando os direitos das comunidades tradicionais e a proteção do meio ambiente.
A decisão do governo também foi elogiada por organizações ambientais e de direitos humanos, que destacaram a importância de ouvir as vozes das comunidades afetadas pelas políticas públicas. Para elas, a retirada dos rios do PND é um passo importante para garantir a proteção da Amazônia e de seus povos.
Em um momento em que a Amazônia enfrenta grandes desafios, como o desmatamento e as queimadas, a decisão do governo de





