Os preços dos alimentos têm chamado a atenção nos últimos meses, com altas significativas e um impacto direto no bolso dos consumidores. Na prévia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o aumento dos preços dos alimentos foi um dos principais responsáveis pela inflação de 0,38%.
De acordo com os dados do IBGE, os alimentos tiveram uma alta de 1,07% em janeiro, puxados principalmente pelos preços dos tubérculos e da carne. Ambos os produtos têm uma oferta que segue um ciclo, o que significa que, em determinados períodos do ano, a produção é menor e, consequentemente, os preços tendem a ficar mais altos. No caso da carne, por exemplo, o período de final de ano e as festas de fim de ano levam a um aumento da demanda, o que contribui para o aumento dos preços.
Essa situação, porém, não é uma surpresa para os especialistas, já que é um comportamento comum do mercado. Ainda assim, os consumidores podem sentir no bolso o impacto dessas variações sazonais dos preços dos alimentos. No entanto, esse aumento não é duradouro e, geralmente, os preços tendem a voltar ao normal após esse período de pico.
Por outro lado, a prévia do IPCA mostrou uma deflação de 0,50% no grupo da habitação. Isso significa que, em média, os preços dos produtos e serviços relacionados à moradia apresentaram uma redução em relação ao mês anterior. Esse resultado é reflexo principalmente da diminuição da pressão dos preços da energia elétrica, que teve uma queda de 3,39%. Em dezembro, o país enfrentou uma crise hídrica, o que levou a um aumento do custo da energia. Com a melhora da situação dos reservatórios de água e a entrada em vigor da bandeira tarifária verde, que não cobra nenhum valor extra na conta de luz, a pressão sobre os preços da energia elétrica diminuiu.
No entanto, apesar da deflação no grupo da habitação, o cenário ainda inspira cuidados. Os preços dos serviços, por exemplo, tiveram uma alta de 0,48% em janeiro, acima da inflação média do mês. Além disso, o acumulado dos últimos 12 meses ainda é preocupante, com uma alta de 2,90%, acima da inflação média de 2,23% no mesmo período. Isso significa que os preços dos serviços, como aluguel, educação e saúde, continuam pressionando o orçamento dos consumidores.
Outro fator que merece atenção é o aumento dos preços dos combustíveis, que tem impacto direto nos preços dos serviços de transporte e também nos alimentos, já que muitos produtos chegam aos mercados por meio de caminhões. A Petrobras anunciou recentemente um aumento de 7,6% no preço do diesel, o que deve refletir em um aumento no valor do frete e, consequentemente, nos preços dos produtos.
Apesar desses resultados preocupantes, os especialistas ainda apostam em uma inflação controlada em 2022. A expectativa é que o avanço da vacinação contra a Covid-19 e a retomada da economia possam equilibrar o aumento dos preços e evitar uma inflação descontrolada. Além disso, com a melhora da situação dos reservatórios de água, é esperado que os preços da energia elétrica também voltem ao normal nos próximos meses.
Portanto, apesar dos preços sazonais afetarem a prévia do IPCA de janeiro, a expectativa é que a situação se normalize no decorrer do ano, especialmente no que diz res



