O Banco Central (BC) tem sido um dos principais atores na busca pela estabilidade econômica do país. E, de acordo com o Bank of America (BofA), o momento atual é propício para que a instituição inicie um processo de corte da taxa básica de juros, a Selic. Essa visão é compartilhada por diversos analistas e economistas, que apontam para uma desaceleração da inflação, melhora das expectativas e uma política monetária ainda restritiva como fatores que permitem essa decisão.
A Selic é a taxa de juros utilizada pelo BC como instrumento de controle da inflação. Quando a economia está aquecida e a inflação ameaça subir, o BC aumenta a Selic para desestimular o consumo e, consequentemente, controlar os preços. Por outro lado, quando a economia está em desaceleração e a inflação está sob controle, o BC pode reduzir a Selic para estimular o consumo e impulsionar o crescimento econômico.
Nos últimos meses, a inflação tem apresentado uma desaceleração significativa. De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação acumulada em 12 meses até julho foi de 2,31%, abaixo do limite inferior da meta estabelecida pelo BC, que é de 2,5%. Além disso, a expectativa do mercado é que a inflação continue em queda nos próximos meses, chegando a 1,63% em dezembro deste ano.
Essa desaceleração da inflação é resultado de diversos fatores, como a queda nos preços dos alimentos e a redução da demanda por produtos e serviços devido à crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus. Além disso, a política monetária restritiva adotada pelo BC nos últimos anos também contribuiu para a contenção dos preços.
Outro fator que permite a redução da Selic é a melhora das expectativas em relação à economia. Com a aprovação da reforma da Previdência e a retomada das reformas estruturais, o mercado tem demonstrado confiança na capacidade do governo de controlar as contas públicas e impulsionar o crescimento econômico. Isso se reflete em uma queda na taxa de câmbio e na redução do risco país, o que favorece a queda da inflação e permite uma política monetária mais flexível.
Diante desse cenário, o BofA defende que o BC já tem condições de iniciar um processo de corte da Selic nesta quarta-feira, quando será realizada a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A instituição acredita que a Selic pode ser reduzida em 0,25 ponto percentual, chegando a 2% ao ano, o menor patamar da história.
Essa visão do BofA está alinhada com a de outros analistas e economistas, que também defendem a redução da Selic neste momento. Além de contribuir para a retomada do crescimento econômico, a redução da taxa de juros também pode estimular o consumo e o investimento, o que é fundamental para a recuperação da economia após a crise causada pela pandemia.
No entanto, é importante ressaltar que a decisão final cabe ao Copom, que leva em consideração diversos indicadores econômicos e as projeções para a inflação antes de definir a taxa de juros. Mas, diante dos dados atuais e da visão do mercado, é possível afirmar que o momento é favorável para a redução da Selic.
Em resumo, o Banco Central já tem condições de iniciar um processo de corte da Selic nesta quarta-feira, de acordo com o BofA. A desaceleração da inflação, melhora das expectativas e uma política monetária ainda restritiva





