Os candidatos do consenso neoliberal estão evitando um tema importante nesta campanha eleitoral: a reforma do mercado de trabalho. Segundo o candidato presidencial apoiado pela CDU, António Filipe, os candidatos fogem deste assunto como o diabo foge da cruz. Mas por que isso está acontecendo?
Ao longo dos últimos anos, temos visto uma série de reformas trabalhistas sendo implementadas em diversos países europeus, com o objetivo de flexibilizar as leis trabalhistas e atrair mais investimentos e empregos. No entanto, muitas dessas reformas têm gerado controvérsias e críticas, principalmente por parte da esquerda, que alega que essas mudanças precarizam as condições de trabalho e retiram direitos dos trabalhadores.
Em Portugal, a discussão sobre a reforma do mercado de trabalho ganhou destaque durante a campanha eleitoral, com o candidato António Filipe, do Partido Comunista Português (PCP), utilizando o tema como trunfo para atrair o eleitorado e tentar desmobilizar o voto útil da esquerda em António José Seguro, candidato apoiado pelo Partido Socialista (PS).
António Filipe tem defendido que a reforma trabalhista promovida pelo atual governo, liderado pelo Partido Social Democrata (PSD) e pelo Centro Democrático Social (CDS), é uma ameaça aos direitos dos trabalhadores e uma forma de precarizar o mercado de trabalho em Portugal. Segundo ele, essas mudanças só beneficiam os grandes empresários e não trazem nenhum benefício para os trabalhadores.
O candidato do PCP tem como principal bandeira de campanha a revogação do pacote laboral aprovado pelo governo de Passos Coelho e Paulo Portas. Para ele, é preciso garantir a estabilidade e a segurança dos trabalhadores, além de lutar contra a precariedade e o desemprego, que atinge cerca de 10% da população portuguesa.
No entanto, os candidatos apoiados pelo consenso neoliberal têm evitado falar sobre a reforma trabalhista, pois sabem que esse é um tema sensível para a população e que pode gerar descontentamento. Além disso, eles têm tentado desqualificar as críticas de António Filipe, alegando que ele está apenas utilizando esse assunto como estratégia política.
Mas o fato é que a reforma do mercado de trabalho é um tema importante e que não pode ser ignorado pelos candidatos. É preciso debater e encontrar soluções que garantam os direitos dos trabalhadores, mas que também sejam favoráveis ao crescimento econômico e à atração de investimentos para o país.
Não podemos aceitar que os direitos dos trabalhadores sejam colocados em segundo plano em nome de uma suposta retomada econômica. É preciso encontrar um equilíbrio entre a proteção dos trabalhadores e a competitividade das empresas, para que todos possam se beneficiar.
Portugal é um país com uma forte tradição de luta pelos direitos dos trabalhadores e não podemos permitir que essas conquistas sejam perdidas. É preciso que os candidatos se posicionem claramente sobre esse assunto e apresentem propostas concretas para garantir a dignidade e a estabilidade dos trabalhadores portugueses.
Por isso, é importante que os eleitores estejam atentos e cobrem dos candidatos um posicionamento claro sobre a reforma do mercado de trabalho. Não podemos deixar que esse tema seja evitado ou minimizado durante a campanha eleitoral. É hora de discutir e encontrar soluções para garantir um mercado de trabalho justo e equilibrado em Portugal.




