A taxa de juros é um dos principais instrumentos utilizados pelo Banco Central para controlar a economia de um país. No Brasil, a taxa básica de juros é conhecida como Selic e é utilizada como referência para as demais taxas de juros praticadas no mercado. Porém, além da Selic, existe outro conceito importante que é a taxa de juros teórica, que serve como um indicador para entender em qual patamar a Selic deixa de frear a economia.
A taxa de juros teórica é um conceito que tem ganhado destaque nos últimos anos, principalmente em meio às discussões sobre a política monetária do Banco Central. Ela é definida como a taxa de juros que equilibra a oferta e a demanda por crédito, ou seja, é o ponto em que a economia está em equilíbrio, sem pressões inflacionárias ou deflacionárias.
No Brasil, a taxa de juros teórica é calculada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e é conhecida como juro neutro. Segundo o economista-chefe do Banco Central, Carlos Viana de Carvalho, o juro neutro é um conceito importante para entender a dinâmica da política monetária e a sua relação com a economia.
De acordo com o economista-chefe do Banco Central, o juro neutro do Brasil deveria ser de 8%, e não de 5% como é atualmente. Essa afirmação foi feita por Roberto Kanczuk, diretor de Política Econômica do Banco Central, durante um evento promovido pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE/FGV).
Kanczuk explicou que o juro neutro é um conceito teórico e que não é possível medir com precisão qual é o seu valor. Porém, ele ressaltou que, de acordo com os modelos utilizados pelo Banco Central, o juro neutro do Brasil deveria ser de 8%. Isso significa que, para que a economia esteja em equilíbrio, sem pressões inflacionárias ou deflacionárias, a taxa de juros deveria estar em torno de 8%.
Essa afirmação é importante porque, atualmente, a taxa básica de juros do Brasil, a Selic, está em 5% ao ano. Isso significa que, segundo o Banco Central, a economia está sendo estimulada, já que a taxa de juros está abaixo do juro neutro. Porém, para Kanczuk, essa política monetária expansionista pode trazer riscos para a economia no longo prazo.
O diretor de Política Econômica do Banco Central explicou que, com a taxa de juros abaixo do juro neutro, a economia pode ficar desequilibrada, com pressões inflacionárias e desequilíbrios fiscais. Isso pode gerar uma desancoragem fiscal, ou seja, uma situação em que as contas públicas estão descontroladas e a inflação está em alta.
Para evitar esse cenário, Kanczuk defende que o juro neutro do Brasil deveria ser de 8%, o que significa que a taxa de juros deveria subir para esse patamar. Porém, ele ressalta que essa é uma decisão que cabe ao Copom, que leva em consideração diversos fatores para definir a taxa de juros.
Além disso, o diretor de Política Econômica do Banco Central também destacou que a desancoragem fiscal é um problema que precisa ser enfrentado pelo país. Segundo ele, a desorganização das contas públicas é um fator que contribui para a elevação do juro neutro do Brasil, já que os investidores ficam receosos em emprestar dinheiro para o governo.
Portanto, é importante que o país adote medidas para controlar os gastos públicos e equilibrar as cont





