Recentemente, o programa Mercado entrevistou Igor Lucena, advogado e especialista em relações internacionais, para discutir a crise com o governo de Nicolás Maduro na Venezuela. Na visão de Lucena, os interesses do governo do ex-presidente Lula e do Estado brasileiro não estão alinhados quando se trata dessa questão.
Em sua análise, Lucena enfatizou que o governo Lula sempre adotou uma postura de defesa dos direitos humanos, da democracia e da paz. No entanto, no caso da Venezuela, ele acredita que houve um desacordo entre o discurso e a ação. Isso porque o governo, em muitas ocasiões, se manteve neutro e não tomou medidas efetivas para lidar com a crise no país vizinho.
Lucena ressaltou que o Brasil é um dos principais atores na América Latina e, portanto, possui uma responsabilidade maior em relação à região. Sendo assim, o governo brasileiro deveria assumir uma posição mais ativa para resolver a crise na Venezuela, defendendo os valores e princípios democráticos que sempre foram caros ao país.
No entanto, segundo o advogado, isso não tem ocorrido. Ele aponta que, durante os governos de Lula e Dilma Rousseff, houve uma aproximação estratégica com países da América Latina como Venezuela, Cuba e Bolívia. Essa aproximação, segundo Lucena, se deu principalmente por questões ideológicas e não foi acompanhada de uma preocupação com a defesa dos direitos humanos e da democracia.
Com a crise na Venezuela se agravando e se intensificando, o governo brasileiro tem se esquivado de assumir uma posição mais incisiva. Segundo Lucena, isso se deve aos laços estreitos que foram construídos durante os governos anteriores com o regime de Maduro. Além disso, o governo atual tem colocado a estabilidade econômica e a parceria comercial com a Venezuela como prioridades, em detrimento dos valores democráticos.
Para Lucena, essa postura é preocupante e reflete uma falta de alinhamento entre os interesses do governo e do Estado brasileiro. Enquanto o governo pode estar buscando estabelecer relações comerciais e políticas com a Venezuela, o Estado deveria estar preocupado com a crise humanitária que assola o país vizinho e suas consequências para toda a região.
O advogado enfatiza que a crise na Venezuela não é apenas um problema interno, mas sim uma questão que afeta toda a América Latina. Por isso, o Brasil deve assumir seu papel de liderança e buscar soluções efetivas para a crise, em conjunto com outros países da região e organismos internacionais.
Além disso, Lucena ressalta que é importante que o Brasil não se esqueça de seus valores e princípios democráticos, mesmo em meio a relações comerciais e políticas. Ele afirma que é possível conciliar interesses econômicos e democráticos, desde que haja uma atuação efetiva e comprometida do governo e do Estado brasileiro.
Em sua conclusão, Lucena deixa claro que essa crise não se trata apenas de diferenças políticas, mas sim de uma questão humanitária. Ele acredita que é responsabilidade do Brasil, enquanto líder na região, buscar soluções pacíficas e democráticas para a Venezuela, promovendo a estabilidade e a paz na América Latina.
É necessário que o governo e o Estado brasileiro revejam suas posturas e atuem de forma conjunta e alinhada. Afinal, os interesses nacionais e os valores democráticos devem sempre caminhar juntos. E, ao contrário do que pode parecer, não há incompatibilidade entre eles. É preciso, portanto, que o Brasil assuma seu papel de liderança e atue com responsabilidade e empatia diante da crise na Venezuela.





