No último mês de setembro, o setor público brasileiro registrou um déficit primário de R$ 33,235 bilhões, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central. Esse resultado representa um aumento em relação ao mesmo período do ano passado, quando o déficit foi de R$ 22,969 bilhões. No acumulado dos últimos 12 meses, o déficit primário do setor público atingiu a marca de R$ 39,365 bilhões, o que equivale a 0,32% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
O déficit primário é a diferença entre as receitas e as despesas do governo, sem considerar os gastos com juros da dívida pública. Em outras palavras, é o resultado das contas públicas antes do pagamento dos juros. Quando esse resultado é negativo, significa que o governo está gastando mais do que arrecada, o que pode levar a um aumento da dívida pública e, consequentemente, a uma maior pressão sobre a economia.
No entanto, é importante destacar que esse déficit primário registrado pelo setor público não é uma surpresa. Desde o início da pandemia de Covid-19, o governo tem adotado medidas para enfrentar a crise econômica e sanitária, o que acabou impactando as contas públicas. Entre essas medidas, podemos citar o auxílio emergencial, que já beneficiou milhões de brasileiros, e os programas de incentivo ao emprego e à renda.
Além disso, é importante ressaltar que o déficit primário do setor público é um indicador que deve ser analisado com cautela. Isso porque, em momentos de crise, é natural que o governo aumente seus gastos para tentar estimular a economia e garantir o bem-estar da população. No entanto, é preciso que esses gastos sejam feitos de forma responsável e que haja um planejamento para que as contas públicas possam ser equilibradas no futuro.
Outro ponto que merece destaque é que, apesar do déficit primário registrado pelo setor público, a dívida pública brasileira ainda se encontra em patamares considerados sustentáveis. De acordo com dados do Tesouro Nacional, a dívida bruta do governo geral, que inclui os débitos dos governos federal, estaduais e municipais, atingiu 89,3% do PIB em agosto deste ano. Esse número é alto, mas ainda está abaixo da média dos países emergentes, que é de 104,7% do PIB.
Além disso, é importante lembrar que o Brasil possui um histórico de responsabilidade fiscal e de compromisso com o equilíbrio das contas públicas. Nos últimos anos, o país conseguiu reduzir significativamente seu déficit primário e controlar a inflação, o que contribuiu para a retomada do crescimento econômico. Portanto, é possível acreditar que o governo brasileiro tem condições de reverter esse déficit primário e garantir a estabilidade econômica no futuro.
É importante destacar também que, apesar dos desafios enfrentados pelo setor público, a economia brasileira tem apresentado sinais de recuperação. No segundo trimestre deste ano, o PIB cresceu 1,2% em relação ao trimestre anterior, o que indica uma retomada da atividade econômica após a forte queda registrada no início da pandemia. Além disso, a inflação tem se mantido controlada e a taxa de juros está em seu menor patamar histórico, o que favorece o investimento e o consumo.
Portanto, é possível afirmar que o déficit primário registrado pelo setor público não deve ser motivo de preocupação. O governo está adotando medidas para enfrentar a crise e garantir a estabilidade econômica, e o país possui fundamentos sólidos que podem contribuir para





