No último trimestre, o setor público brasileiro apresentou um déficit primário de R$ 39,365 bilhões, o equivalente a 0,32% do Produto Interno Bruto (PIB). Esses números, divulgados pelo Tesouro Nacional, Banco Central e Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são reflexo da crise econômica vivida pelo país nos últimos anos. No entanto, apesar do déficit, há motivos para enxergar com otimismo a situação econômica do Brasil.
De acordo com o Banco Central, o déficit primário do setor público no acumulado de 12 meses até setembro foi de R$ 33,235 bilhões. Esse valor é resultado da diferença entre as receitas e despesas do governo, excluindo os gastos com juros da dívida pública. Embora ainda seja um número expressivo, ele representa uma melhora em relação ao ano anterior, quando o déficit foi de R$ 108,258 bilhões.
Um dos fatores que contribuíram para essa melhora foi a retomada do crescimento econômico. Depois de passar por uma das piores recessões de sua história, o Brasil vem apresentando sinais de recuperação. No segundo trimestre deste ano, o PIB cresceu 0,4% em relação ao trimestre anterior, interrompendo uma sequência de oito trimestres de queda. Além disso, a inflação está sob controle e a taxa de juros vem caindo gradualmente, o que estimula o consumo e os investimentos.
Outro fator importante é a reforma da Previdência, que foi aprovada em novembro pelo Congresso Nacional. A mudança nas regras de aposentadoria é fundamental para garantir a sustentabilidade das contas públicas no longo prazo. Com a reforma, estima-se que o déficit da Previdência seja reduzido em cerca de R$ 800 bilhões nos próximos 10 anos.
Além disso, o governo vem adotando medidas para melhorar a gestão das contas públicas. O Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), criado em 2016, tem como objetivo atrair investimentos privados em projetos de infraestrutura, como aeroportos, rodovias, portos e ferrovias. Até o momento, já foram concedidos 145 projetos, com previsão de investimentos de R$ 260 bilhões.
Outra iniciativa importante é o Programa de Desestatização, que prevê a venda de empresas públicas para a iniciativa privada. A privatização de empresas estatais é uma forma de reduzir a dívida pública e melhorar a eficiência dos serviços prestados à população. Em 2019, já foram realizadas a privatização da BR Distribuidora e a venda de ações da Petrobras, que renderam mais de R$ 40 bilhões aos cofres públicos.
Além disso, o governo vem buscando uma maior eficiência na gestão dos recursos públicos. O Ministério da Economia lançou o Programa de Gestão e Resultados (PGR), que tem como objetivo melhorar a qualidade do gasto público e reduzir o desperdício de recursos. O programa prevê a realização de auditorias em órgãos públicos, a revisão de contratos e a modernização da gestão.
Apesar do déficit primário, é importante ressaltar que o Brasil possui uma das menores dívidas públicas em relação ao PIB entre os países emergentes. Segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), a dívida bruta do governo brasileiro deve fechar o ano em 75,8% do PIB, enquanto a média dos países emergentes é de 51,6%. Isso mostra que o país tem condições de honrar seus compromissos e manter a estabilidade econômica.
Além disso, o Brasil vem atraindo cada





