O debate sobre as emissões de gases de efeito estufa (GEE) na navegação ganhou novos contornos após a falta de consenso entre os Estados-membros da Organização Marítima Internacional (IMO) sobre o Marco Net-Zero. A reunião da IMO, realizada em novembro de 2021, terminou sem um acordo sobre as medidas a serem tomadas para reduzir as emissões de GEE na indústria marítima. Diante dessa situação, o Brasil decidiu apostar em biocombustíveis como uma alternativa sustentável para a navegação durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30).
A falta de consenso na IMO é uma preocupação para o setor marítimo, pois a indústria é responsável por cerca de 2,5% das emissões globais de GEE. Com o aumento do comércio internacional e do transporte marítimo, espera-se que essas emissões aumentem ainda mais nas próximas décadas. Portanto, é crucial que medidas eficazes sejam adotadas para reduzir as emissões e mitigar os impactos das mudanças climáticas.
O Marco Net-Zero da IMO é um plano ambicioso que visa reduzir as emissões de GEE na navegação em 50% até 2050, com o objetivo final de atingir a neutralidade de carbono até o final do século. No entanto, a reunião da IMO terminou sem um acordo sobre como alcançar essas metas. Alguns países defendem o uso de biocombustíveis, enquanto outros defendem a implantação de tecnologias de redução de emissões, como a captura e armazenamento de carbono. A falta de consenso entre os Estados-membros da IMO é um reflexo da complexidade do desafio e da necessidade de encontrar soluções sustentáveis e viáveis para a navegação.
Diante desse impasse, o Brasil decidiu apostar em biocombustíveis como uma alternativa para a navegação sustentável. O país é um dos líderes globais na produção de biocombustíveis, com uma indústria bem estabelecida e tecnologias avançadas. Durante a COP30, o Brasil apresentou seu plano de incentivar o uso de biocombustíveis na navegação, com o objetivo de reduzir as emissões de GEE do setor.
Os biocombustíveis são combustíveis produzidos a partir de fontes renováveis, como cana-de-açúcar, milho e soja. Eles são considerados uma alternativa mais sustentável aos combustíveis fósseis, pois reduzem significativamente as emissões de GEE. Além disso, os biocombustíveis podem ser produzidos localmente, promovendo o desenvolvimento econômico e a criação de empregos no país.
O Brasil já possui uma experiência bem-sucedida no uso de biocombustíveis na aviação, com a implantação do bioquerosene de aviação (BioQAV) em voos comerciais. O país também é líder na produção de biocombustíveis para o setor de transporte terrestre, com uma frota de veículos flex fuel que pode utilizar tanto gasolina quanto etanol. Portanto, é natural que o Brasil se posicione como um defensor do uso de biocombustíveis na navegação.
Além da aposta nos biocombustíveis, o Brasil também está investindo em tecnologias de redução de emissões para a navegação. Durante a COP30, o país anunciou um programa de incentivo à pesquisa e desenvolvimento de tecnologias limpas para a indústria marítima. Isso inclui a implantação de sistemas de propulsão elétrica, uso de energia solar e aprimoramento de tecnologias de redução de emissões.
A decisão




