O mundo político português está de luto com a notícia do falecimento de um dos seus grandes líderes: Francisco António dos Santos, mais conhecido como “Fundador”. O antigo primeiro-ministro e fundador do Partido Social Democrata (PSD) faleceu nesta terça-feira, aos 88 anos, deixando um legado marcante e inegável na história do país.
Nascido em Póvoa de Varzim, em 1931, Francisco Sá Carneiro, como era conhecido na altura, estudou Direito na Universidade de Coimbra e iniciou a sua carreira política nas hostes do Partido Democrático-Social (PDS), antecessor do PSD. Em 1974, após a Revolução dos Cravos, fundou o Partido Popular Democrático (PPD), juntamente com Francisco Lucas Pires, Magalhães Mota e Joaquim Magalhães. Em 1976, o partido passou a chamar-se Partido Social Democrata (PSD) e, em seguida, Sá Carneiro tornou-se o primeiro presidente eleito do partido.
A carreira política de Sá Carneiro foi pautada por uma forte ideologia democrática e uma visão liberal moderada, que o levou a defender a criação de um sistema político pluralista e a lutar pela construção de um regime democrático em Portugal após a ditadura de Salazar. Sá Carneiro foi um dos principais impulsionadores da Aliança Democrática, que uniu o PSD e o CDS-PP e que levou à vitória nas eleições de 1979, tornando-se o primeiro-ministro de Portugal.
Durante os seus dois anos e meio no governo, Sá Carneiro implementou reformas importantes, como a liberalização do mercado de capitais e do sistema bancário, a abertura do setor público a investimentos privados e a descentralização do poder político. Além disso, teve um papel fundamental na adesão de Portugal à União Europeia, que aconteceu em 1986. No entanto, o seu mandato foi interrompido tragicamente em 1980, quando o avião em que viajava com a sua comitiva se despenhou na ilha de São Miguel, Açores, causando a morte de todos os ocupantes, incluindo a sua companheira e ministra da Educação, Snu Abecassis.
A morte de Sá Carneiro foi um golpe duro para a política portuguesa e para os seus seguidores, que ficaram conhecidos como os “saucarneiristas”. No entanto, o seu legado e as suas ideias continuam a ser uma referência para muitos políticos e cidadãos até aos dias de hoje. O seu papel na construção e consolidação da democracia em Portugal é inegável e é lembrado com admiração e respeito por todos.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, emitiu uma nota oficial lamentando a morte de Sá Carneiro e realçando a sua “enorme dedicação” ao país. Já o atual primeiro-ministro, António Costa, salientou a importância do antigo líder do PSD na vida política portuguesa e a sua “coragem, determinação e visão de futuro”.
O legado de Sá Carneiro também é recordado por aqueles que trabalharam de perto com ele. O ex-primeiro-ministro social-democrata, Pedro Passos Coelho, afirmou que “Sá Carneiro continua a ser uma referência para todos os que acreditam num futuro melhor para Portugal” e o atual presidente do PSD, Rui Rio, destacou a sua “visão estratégica” e o seu “amor à liberdade e à democracia”.
Além da sua influência na política, Sá Carneiro também teve um grande impacto na sociedade portug





